Cidades
Canal do Sert�o depende de dinheiro externo
FERNANDO ARAÚJO Há mais de um século o imperador Pedro II prometeu acabar com a seca no Nordeste, mesmo que para isso fosse necessário vender a última jóia da Coroa. Até hoje os nordestinos sofrem com a falta d?água e a indústria da seca nunca foi tão próspera. O mesmo destino poderá ter o Canal do Sertão, o grande projeto de irrigação e abastecimento do semi-árido alagoano que faz a festa dos políticos em ano eleitoral, vendendo a idéia de que a obra estará concluída em pouco tempo. Orçado em R$ 612 milhões na sua primeira fase (sem os perímetros irrigados), o projeto tem prazo de conclusão estimado em 12 anos, mas se depender apenas das verbas aprovadas anualmente no Orçamento Geral da União, levará mais de um século para que o sonho dos sertanejos torne-se realidade. E sem recursos externos o Canal do Sertão terá o mesmo destino dado à promessa do imperador. O projeto foi iniciado no governo de Geraldo Bulhões, que rasgou a caatinga a partir de Delmiro Gouveia e abriu os primeiros 16 quilômetros do canal, além de começar as escavações para construir a estação de captação, às margens da represa de Moxotó. No governo seguinte, de Suruagy-Mano, as obras foram paralisadas e o Estado passou a execução do projeto para a Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco (Codevasf), que tem se empenhado nos últimos cinco anos para conseguir recursos federais destinados aos estudos de viabilidade do empreendimento. ?Sem esses estudos não será possível captar os recursos externos que um projeto desse porte exige??, informou à GAZETA DE ALAGOAS Guilherme Gonçalves, diretor de produção da Codevasf. Em setembro do ano passado o decreto n. 3.920 incluiu a obra do Canal do Sertão no plano de Programas e Ações Estratégicas do governo federal, dando ao projeto a classificação de obra prioritária. Recursos Até agora foram investidos cerca de R$ 4 milhões nos estudos de viabilidade do aproveitamento integrado dos recursos hídricos do projeto. ?Isto nos dará uma avaliação de alternativas socioeconômica e ambiental, com vistas ao aproveitamento dos recursos de água e solo de parte da bacia hidrográfica do rio São Francisco, com 14.631 quilômetros quadrados de área (metade do território alagoano) que se desenvolve desde o lago de Moxotó até as imediações de Arapiraca??, explica o diretor Guilherme Gonçalves. Esse trabalho envolve estudos básicos (geologia, hidrologia, uso da terra e etc.), estudos socioeconômicos, estudos de engenharia e de impactos ambientais. Os R$ 9,5 milhões anunciados recentemente pelo ministro da Integração Regional, Luciano Barbosa, serão empregados na captação de água, a partir do reservatório da hidrelétrica de Moxotó, município de Delmiro Gouveia.