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Romeiros arriscam a vida em nome da f�

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O acidente com um caminhão de romeiros, que matou nove alagoanos, na última terça-feira, coloca em discussão uma questão polêmica: a falta de segurança desse tipo de transporte, utilizado por milhares de fiéis que fazem, todos os anos, seu exercício de fé em longas viagens, em cima de um pau-de-arara para ?visitar? Padre Cícero, no Juazeiro do Norte (CE). O tipo de transporte faz parte da tradição religiosa e integra os quesitos de sacrifício dos que vão ao Juazeiro pagar promessa ou fazer penitência. ?Romeiro vai de pau-de-arara. Quem vai de ônibus é turista?, costumava dizer Maria José Laurentino, a ?Dona Mãezinha?, que morreu no acidente, aos 80 anos de idade, com a filha, Maria José, e a afilhada Raquel Aprígio. ### Pau-de-arara passa de pai para filho Dedé Eugênio faz o mesmo percurso todos os anos, passando por Correntes, Bom Conselho, Garanhuns, Serra Talhada, Belo Monte, Missão Velha, até chegar ao Juazeiro. São cerca de 12 horas de viagem. Ele diz que faz isso como missão e por devoção a Padre Cícero, sem cobrar passagem dos romeiros. Herdou a tradição do pai, Antônio Eugênio, e diz que quer passar para os filhos. Ficou chocado com o acidente, mas não pensa em desistir. Vai apenas reajustar os horários, para viajar à luz do dia. ?É uma tradição de muitas gerações. Meu pai me ensinou, eu ensinei a meus filhos, e o pau-de-arara faz parte dessa tradição?, diz. Com Antônio Macário também foi assim: ele herdou o ?ofício? do pai, mas, depois do acidente no qual se envolveu, já decidiu. ?Nunca mais vou fazer romaria?. ### Motoristas driblam Código de Trânsito A maioria dos motoristas se prevalece do que parece uma exceção à regra, descrita no artigo 108, do CTB. ?Onde não houver linha regular de ônibus, a autoridade com circunscrição sobre a via poderá autorizar, a título precário, o transporte de passageiros em veículo de carga ou misto, desde que obedecidas as condições de segurança estabelecidas neste Código e pelo Contran?. A Polícia Rodoviária Federal contesta. O Inspetor Jeferson Santos, responsável pela Comunicação na instituição, diz que a lei não permite, e que não há concessões. ?Não pode, nem deve. Além de ser ilegal, esse tipo de transporte é inseguro. Se for pego, o carro é apreendido e a viagem acaba?, diz ele. ### Tragédia marca história das romarias alagoanas A tradição da romaria não tem idade. Maria José Laurentino, ?Dona Mãezinha?, figura emblemática do povoado Cascuda, na zona rural de Viçosa, morta no acidente, tinha 80 anos de idade, e já tinha feito quase 70 viagens para o Juazeiro, sempre em cima de um caminhão. Começou por volta dos 10 anos, segundo os parentes. A notícia da morte dos nove romeiros alagoanos foi recebida como uma das maiores tragédias da história da romaria nas estradas que levam ao Juazeiro do Norte, e repercutiu muito na terra de padre Cícero e entre seus devotos. ?Faz muito tempo que viajo para o Juazeiro. Nunca vi um acidente nas estradas, muito menos nessa dimensão?, diz o romeiro Luiz Moisés. ///

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