Cidades
Mais de mil esperam julgamento em AL
Mais uma vez, Alagoas desponta no cenário nacional com mais um indicador negativo. O Estado detém o maior índice de presos provisórios do País e encabeça a lista com alarmantes 77%. Dos 1.780 reeducandos do sistema prisional alagoano, mais de mil presos ainda não foram julgados. Vale ressaltar que o estudo não levou em consideração os presos de delegacias, cujo número deve chegar a 60 mil em todo o Brasil. Só em Maceió, são mais de 300 amontoados nas precárias celas dos distritos policiais. A melhor situação é a do Rio Grande do Sul, com 21,98%. Os números foram apresentados na última segunda-feira, no 2º Encontro Nacional do Judiciário, em Belo Horizonte, e faz parte de estudos realizados pelo Ministério da Justiça e pela Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas. Os levantamentos identificaram ao todo, no País, 80 mil presos provisórios e cerca de 54 mil presidiários condenados por crimes de baixo e médio potencial ofensivo, que poderiam estar cumprindo penas alternativas. ### Situação era denunciada há três anos O juiz Marcelo Tadeu disse que durante os três anos e meio em que esteve à frente da Vara de Execuções Penais fez várias denúncias sobre o número excessivo de presos provisórios no sistema prisional, o que, segundo ele, provocava a superlotação nas unidades. ?Eu passei a vida toda denunciando isso. É uma realidade para a qual eu já alertava. Em Alagoas, prende-se muita gente por motivos que não justificam a prisão. Tem preso que está lá dentro há 7 meses, porque furtou uma garrafa de uísque no supermercado, além de muitos outros casos. O problema do sistema prisional está no preso provisório?, diz o magistrado, que foi até o Conselho Nacional de Justiça, em Brasília, para denunciar e sugerir um prazo-limite máximo de prisão para presos provisórios. ?Eu sugeri um prazo de dois anos. Se dentro desse período o preso não fosse julgado, ele teria que ser posto em liberdade. Depois, as responsabilidades seriam apuradas?, disse Tadeu. ///