Cidades
Por servi�os, popula��o deixa de dormir
Quando a luz do sol se desmancha na escuridão da noite, milhares de pessoas se entregam ao aconchego das cobertas e sonhos, recobrando as energias que serão gastas no dia seguinte. Mas essa realidade não é comum a todos. Existem aqueles que enfrentam os riscos e desconfortos da madrugada para conseguir alguns baldes d?água ou pegar uma ficha de atendimento em um posto de saúde. Eles são moradores de regiões periféricas de Maceió e se tornam guardiões de filas enormes, cujos lugares são disputados no grito. Quem não se arrisca a perder uma noite de sono, entra em esquemas, que podem custar de R$ 10 até R$ 35. ### Busca pela água começa muito cedo O despertador de Valdenilda Costa é o raiar do sol. São cinco horas da manhã e ela já deixou a Favela Sururu de Capote, onde mora com o marido e os filhos há dez anos. Para o tanque que sempre tem água, ela levou a bacia com roupas da família e as panelas. Pacientemente, umedece as camisas e bermudas com a água que recolheu com um pote de margarina. Levar os utensílios e vestes para lavar no local é uma estratégia para economizar a água que vai para casa em baldes, garrafas de refrigerante e vasilhas de todos os tamanhos. ?É para beber, lavar os pratos, para tudo?, explicou Dilma dos Santos, também moradora da Sururu de Capote, enquanto enchia rapidamente os baldes e atravessava duas pistas para retornar à favela. ### Filas se formam no dia anterior Pouco mais de três horas da manhã. Unidade de saúde Dr. José Araújo Silva, bairro do Jacintinho. Em frente ao posto, pessoas conversam para o tempo passar mais rápido. Algumas estão sentadas, outras dormem em um bar, no espaço onde são colocadas as mesas e cadeiras para os apreciadores de uma cerveja bem gelada. Todos aguardam o início da entrega das fichas para consulta com uma ginecologista, que ocorrerá às sete horas da manhã. O flash do equipamento fotográfico de nossa equipe assusta aqueles que cochilavam no bar. O despertar revela que estavam em posições desconfortáveis, muitos se espreguiçam. As treze horas de espera fazem com que a fome e o cansaço se tornem presentes. Foi assim com José Sebastião dos Santos, 56, que estava na fila para pegar uma ficha para a cunhada. A esposa dele também estava no local, mas dormia. ///