ALERTA
Mortes no trânsito crescem 330% em Maceió e escancaram crise na mobilidade urbana
Apenas neste ano, 43 pessoas já perderam a vida em acidentes nas vias da capital; levantamento do DMTT mostra que avenidas mais movimentadas concentram os maiores índices de sinistros
A pressa. A desatenção. O uso do celular. O excesso de veículos. Diariamente, diversos fatores colocam em risco a vida de motoristas e pedestres em Maceió. A crise na mobilidade urbana e a insegurança no trânsito se tornaram realidade para quem vive e circula pela capital alagoana. Dados do Departamento Municipal de Transportes e Trânsito (DMTT) mostram que o número de mortes no trânsito subiu 330% em 2025, na comparação com o mesmo período do ano passado.
Entre 1º de janeiro e 30 de setembro deste ano, foram registrados 778 acidentes de trânsito na cidade, contra 720 no mesmo intervalo de 2024. Em relação aos óbitos, o salto é ainda mais alarmante: foram 43 mortes este ano, frente a 10 no mesmo período de 2024. As vias com mais ocorrências são também as mais movimentadas de Maceió (confira mais abaixo).
Os dados, no entanto, podem estar subestimados. Muitos casos não entram na contagem oficial. Um exemplo: se uma pessoa sofre um acidente, é socorrida com vida e internada no Hospital Geral do Estado (HGE), mas morre dias depois, a ocorrência pode não ser registrada como morte no trânsito pelas autoridades de trânsito.
A assessoria de comunicação do HGE informou que, de janeiro a setembro deste ano, foram realizados 4.149 atendimentos de vítimas de acidentes na unidade hospitalar. Desse total, 1.860 foram colisões, 1.673 acidentes de moto, 301 atropelamentos, 221 acidentes com bicicleta e 94 capotamentos. O número é superior ao mesmo período de 2024, quando foram registrados 3.513 atendimentos: 1.819 colisões, 1.535 acidentes de moto, 337 atropelamentos, 192 acidentes com bicicleta e 111 capotamentos.
Mãe é presa após filha de 10 anos ser encontrada sozinha em Arapiraca
Dupla invade residência em Arapiraca; morador reage e consegue imobilizar um dos suspeitos
Pet desaparecido: envie uma foto do animal para a TV Gazeta
Operação Face Dupla: suspeitos de violência sexual contra crianças e adolescentes são presos
Acidente na Fernandes Lima deixa trânsito lento
Principais pontos de risco
No ranking das vias com mais registros de acidentes de trânsito em Maceió, aparecem as avenidas Durval de Góes Monteiro e Fernandes Lima, com 86 sinistros cada uma. Na sequência está a Avenida Menino Marcelo, com 63 acidentes contabilizados no levantamento.
A dor de uma perda
Entre as vítimas está o jovem Marcos Vinícius Santos Guimarães, de apenas 20 anos, que faleceu no dia 16 de junho após ser fechado por um carro, perder o controle da moto e ser arrastado por um caminhão de gás. O acidente aconteceu em uma das avenidas mais movimentadas da cidade. Marcos morreu no local.
Quatro meses depois, a dor da família ainda é intensa. A irmã da vítima, Cynthia Renata Santos Guimarães, de 26 anos, lamenta a perda e aguarda por responsabilização:
“Ainda não temos nenhuma novidade. Estamos muito abalados. Foi um acidente muito grave. Era o sonho dele ter essa moto. Pelo que sabemos, o motorista já foi identificado. Ele fechou o Marcos. Não foi culpa do meu irmão”, disse.
Especialista aponta causas
Para o engenheiro de trânsito Antônio Monteiro, a velocidade é o principal fator de risco nos acidentes da Região Metropolitana. Já em Maceió, o volume de veículos e a fragilidade dos motociclistas agravam os números.
Ele também aponta que a falta de calçadas e de infraestrutura para pedestres contribui para o aumento de atropelamentos:
“Basicamente hoje, em Maceió, a grande maioria das mortes está ligada aos acidentes de moto. E também somos a única capital do Brasil que ainda não tem um sistema de controle de velocidade.”
Saúde pública
Para o cirurgião-geral do HGE, Amauri Clemente, os acidentes impactam diretamente não só os serviço público de saúde, mas também as famílias dos envolvidos.
“São muitos os impactos. O principal considero os físicos, emocionais e sociais. O sistema de saúde precisa oferecer reabilitação de longo prazo, o que amplia o impacto financeiro e social. No entanto, os tratamentos de trauma são caros e prolongados, exigindo cirurgias, internações longas e fisioterapia”, comentou o cirurgião.
Amauri explica que o custo médio de um paciente politraumatizado é muito superior ao de um paciente clínico comum.
“No SUS, isso representa milhões de reais por ano que poderiam ser destinados à prevenção ou a outras áreas assistenciais”, explicou o médico, que também salientou os riscos de sobrecarga aos profissionais.
Segundo o HGE, entre os pacientes que dão entrada vítimas de acidentes de trânsito, condutores e passageiros de motos estão entres os mais frequentes.
Segurança
O agente e educador de Trânsito do DMTT, Eduardo Freire, explicou que ações educativas usam sempre os dados de trânsito em consideração para surtirem mais efeitos.
“A gente tenta trazer ao máximo, para a realidade daquela comunidade, situações muito específicas e casos reais para conscientizar aquelas pessoas daquela região”, contou Freire.
Entre os temas abordados pelas equipes de educação estão assédio sexual em transporte escolar, inteligência emocional no trânsito, direção defensiva e conduta no trânsito.
Para Freire, a desatenção no trânsito é a maior inimiga de quem quer seguir em segurança.
“Aqui em nosso capital, nesses corredores que a gente tem, Durval de Goés Monteiro e Fernandes Lima, nos leva a crer atualmente que muito do que tem acontecido é por falta de atenção. Seja pelo uso de celular, ou por desvio de atenção por algum momento.
E foi um dos assuntos que a gente abordou em uma das palestras: a inteligência emocional. Em como você pode sair de casa de maneira muito tranquila, tendo a convicção de que você está seguro para conduzir um veículo”, completou o agente.