MACEIÓ
Barqueiros da Pajuçara denunciam superlotação e risco ao meio ambiente
Associação pede regulamentação para preservar tradição, sustentabilidade e segurança no local
A Associação dos Proprietários de Barcos Motorizados da Enseada da Pajuçara (APBMEP) denuncia a presença crescente de “invasores” na área onde atuam os barqueiros já estabelecidos. Além do desequilíbrio comercial, os proprietários alertam para os riscos ambientais provocados pelo desconhecimento das características da região por parte desses novos navegadores.
Atualmente, a capacidade de barcos na Enseada da Pajuçara está no limite: 65 motorizados. De acordo com Edvan Carvalho, secretário da associação, têm surgido cada vez mais embarcações conduzidas por pessoas sem o preparo necessário para levar turistas aos passeios marítimos. Ele afirma que os barqueiros locais seguem protocolos rigorosos de segurança e preservação ambiental, o que não ocorre com os recém-chegados.
“Uma pessoa assim não está preocupada com a segurança dos outros nem com o meio ambiente. A gente orienta sobre a parte ambiental, como não tocar nos animais. Colocamos placas, temos cuidado com as âncoras nas pedras e nos corais, mas essas pessoas não estão nem aí para isso. Imagine só pegar um passeio com alguém assim”, relata.
PREJUÍZO
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No aspecto econômico, Edvan destaca que há um padrão de preços e condutas estabelecido entre os associados e demais trabalhadores, o qual vem sendo desrespeitado com a chegada desses novos barqueiros. “Além da segurança ambiental e da sustentabilidade, há também os impactos econômicos. Os preços começam a ser desvalorizados. Esse pessoal que vai chegando não sabe como definimos os valores”, afirma.
Segundo o secretário, embarcações maiores, com capacidade para muitos passageiros, estão agravando a concorrência de forma desleal. Ele menciona ainda os jangadeiros, que atuam em outra parte da enseada, mas também estão sendo prejudicados. “Não é só a gente. Os jangadeiros, que têm embarcações menores, também são afetados. Outro dia chegou um catamarã com mais de 40 pessoas, na noite de domingo, dia 19, e foi direto para o Banho de Lua”.
Tradição em Maceió, o Banho de Lua é uma atração popular entre os turistas. Diante desse cenário, a APBMEP recorreu à Secretaria de Estado do Turismo (Setur) para que o número de embarcações motorizadas seja regulamentado. Até o momento, a secretaria informou apenas que o tema será debatido em reuniões futuras.
O pedido de regulamentação, segundo Edvan, tem três pilares principais: a segurança dos turistas e passageiros, a proteção ao meio ambiente e a reputação da própria associação. “Não queremos que nosso setor seja motivo de pautas negativas para nossa cidade. Nosso objetivo é garantir a segurança de todos que nos visitam, bem como dos nossos conterrâneos, além de preservar o meio ambiente e promover a sustentabilidade”, conclui.
A reportagem entrou em contato com a Setur, que comunicou que o tema será debatido em uma reunião com a associação, mas não informou a data em que ela será realizada.