Cidades
Queixas de mulheres dobram em 2008
Quando a mão que deveria dar carinho agride, a dor passa do corpo para a alma. Isso nunca vai mudar entre as mulheres humilhadas e espancadas por quem chamam de ?amor da minha vida?. Mas uma coisa está ficando bastante diferente. Muitas não se calam mais diante da covardia, não aceitam a agressão ou ameaça e denunciam a violência doméstica. Basta reparar as estatísticas. O número de queixas registrado nas duas delegacias especializadas de defesa dos direitos da mulher em Maceió dobrou no último ano. Foram 6.265 ocorrências em 2008 contra 3.155 em 2007. A quantidade de inquéritos avançou de 164 em 2007 para 321 no ano passado. Só na 2ª Delegacia da Mulher, no Salvador Lyra, foram 121 prisões decretadas, incluindo maridos, ex-maridos, companheiros, filhos e outros parentes agressores. ### Lei prevê punição até para chantagens | MAURÍCIO GONÇALVES - Repórter A delegada Maria Angelita de Sousa destaca que ameaça, intimidação, chantagem e extorsão, mesmo sem agressão física, provocam prisão e outras punições previstas pela Maria da Penha. ?Existem inovações na lei como as medidas protetivas que determinam o afastamento do agressor do lar e da vítima?, informa Angelita, lembrando do caso de um marido que ameaçava levar os dois filhos do casal para São Paulo. ?Ela dependia financeiramente dele, prestou queixa, conseguiu a guarda definitiva das crianças, a pensão e a medida protetiva, tudo a partir do inquérito policial com base na violência doméstica?. ### Avanço desperta consciência da mulher | MAURÍCIO GONÇALVES - Repórter Com a costureira Andréia Romão dos Passos é bem diferente. Separou-se após descobrir a traição do companheiro e começou a viver um suplício pela insistência dele em reatar. ?Ele me seguia no Centro, insistia, ficou bravo, puxou o meu cabelo, foi na minha casa, invadiu e me ameaçou dizendo que eu merecia levar uma pisa?. Andréia já estava em depressão, ficou nervosa, começou a tomar dois Diazepans 10 mg por dia, mas quando levou uma bofetada no rosto resolveu dar um basta. ?Ouvi falar no rádio e na TV sobre a Lei Maria da Penha e queria que alguém me explicasse quais os direitos que a gente tem?. Ao chegar na Delegacia da Mulher do Salvador Lyra, registrou a ocorrência e espera pela audiência com o agressor na presença da autoridade policial. ### Mulher lidera quase 20 mil excluídos | LELO MACENA - Repórter Uma veio do Sertão de Alagoas para conquistar o posto mais alto da Justiça alagoana. A outra viveu na rua e quase morreu vítima das drogas, antes de se tornar a líder de quase 20 mil excluídos. A terceira dedica a vida à educação de crianças, jovens e adultos. Entre as três, em comum, a condição feminina, a sensibilidade e a força para lutar pelos sonhos. Sem se conhecerem pessoalmente, cada uma no seu caminho, as três mulheres seguem firme conquistando espaços e celebrando as vitórias femininas na sociedade alagoana, cuja supremacia masculina já faz parte de um passado distante. No Dia Internacional da Mulher, a Gazeta foi buscar um pouco da história da desembargadora Elizabeth Carvalho, presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas (TJ), da líder comunitária Vânia Teixeira e da professora Rosângela Lopes, representantes legítimas do universo feminino alagoano. ### Sertaneja comanda Justiça no Estado Da região onde nasceu, ela herdou força, determinação e muita coragem, características marcantes do um povo acostumado a lutar numa realidade naturalmente adversa. Do alto Sertão de Delmiro Gouveia, marcado pelo sol forte, a ausência de água, e o solo esturricado pela seca, veio a mulher que ocupa hoje o lugar mais alto do Poder Judiciário alagoano. Ao ser eleita por aclamação presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas, em novembro do ano passado, a desembargadora sertaneja Elizabeth Carvalho entrou para a história como a primeira mulher a ocupar o cargo máximo da Justiça alagoana. ### ?Essa história de sexo frágil é erro? A história da nossa terceira personagem é simples, mas não menos importante, porque se confunde com a de milhares de mulheres que se dedicam à educação da futura geração de alagoanos e fazem da sala de aula seu ?campo de batalha? diário. Nascida na Vila São Francisco, em algum ponto entre Quebrangulo e Paulo Jacinto, na região do Vale do Paraíba, a professora Rosângela Lopes do Nascimento, 39 anos, hoje se divide entre Maceió e sua terra natal, de onde saiu adolescente para o internato do Colégio Bom Conselho, no tradicional bairro de Bebedouro, em Maceió. Foi lá que se decidiu pelo ofício de lecionar. ?Eu amo a minha profissão. Minha vida é ensinar?, diz ela. ### Mulheres são maioria no Ensino Médio | DA REDAÇÃO A presença da mulher brasileira no sistema educacional mostra números crescentes, em termos absolutos, em todos os níveis de ensino. Na comparação com a presença masculina, na Educação Básica, elas constituem minoria nas creches e no Ensino Fundamental, mas são maioria no Ensino Médio. De acordo com o Censo Escolar da Educação Básica, levantamento realizado anualmente pelo Inep, em 2005 estavam matriculadas no Ensino Fundamental 16.367.401 meninas, o que representa 48,80% do total de matrículas naquele ano. Esse percentual manteve-se praticamente o mesmo no ano seguinte, com matrículas de mulheres representando 48,66% do total. Já no Ensino Médio, a proporção de matrículas de mulheres aumentou nesse período. Em 2005, elas representam 53,99% e, em 2006, o 54,06% ### Josefa sustenta casa e alimenta 5 filhos | PATRÍCIA BASTOS - Repórter Arapiraca ? Dona Josefa ?nasceu e se criou na roça?, apesar de todas as dificuldades financeiras da família, não deixaria a vida no campo, se tivesse oportunidade, e também não gostaria de ver seus filhos indo para longe. ?A gente que é mãe, quer ter os filhos sempre por perto?, responde, quando indagada se gostaria que seus filhos tivessem outro futuro. A agricultora ? que traz nos cabelos brancos e nas mãos calejadas as marcas de uma vida de trabalho duro ? vê com naturalidade o esforço diário na pequena roça nos fundos de sua casa, no sítio Laranjal, zona rural de Arapiraca. ?São tantas outras mulheres que, assim como eu, ficaram sem marido e sustentam a família com o trabalho na terra. Só que a vida na roça não é fácil para ninguém, e quando a idade vai chegando fica cada vez mais difícil. Mas a gente luta, porque tem que lutar?, pondera dona Josefa. ### Tayane ajuda pai em oficina que conserta caminhões Arapiraca ? Numa oficina mecânica às margens da rodovia AL-110, uma adolescente tem sonho diferente de outras meninas de sua idade. Tayane Mariano da Silva, 16, a partir desta segunda-feira começa a se preparar para o vestibular, ela quer se aperfeiçoar na profissão de seu pai, Antônio Mariano da Silva, o ?Tonhão?, mecânico de caminhão e ônibus. ?Eu cresci vendo isso, então não foi estranho para mim?, explica. Aos 12 anos ela começou a ir para a oficina, mas para ajudar em serviços de escritório. Curiosa, começou a observar o serviço dos mecânicos que auxiliam seu pai. ?Certa vez, meu pai tava explicando como funcionava um motor. Ele não sabia, mas eu estava gravando tudo. Depois, quando ele me viu fazendo o serviço, ficou surpreso?, recorda. ///