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4 mil professores fora da sala de aula

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O Estado de Alagoas tem cerca de 12 mil professores vinculados à rede estadual de ensino. Cercade oito mil estão trabalhando e quatro mil estão fora da sala de aula, segundo dados da Secretaria Estadual da Educação. Se todos estivessem no exercício de sua atividade fim, o ensino, a rede teria uma média de um professor para cada 26 alunos, acima da média nacional, que é de 25 por um. No entanto, faltam professores em diversas escolas; estudantes passam o ano inteiro sem o menor contato com o conteúdo de disciplinas fundamentais; e essa carência é, também, um dos fatores que contribuem para o atraso no calendário escolar. Mesmo assim, ninguém, nem mesmo a Secretaria da Educação, consegue responder com precisão a uma pergunta básica: onde estão os quatro mil professores da rede estadual que não estão lecionando? ### Diversas disciplinas sem educadores Mas não é só na área de Exatas onde mora o problema. Segundo levantamento feito pelo Ministério Público Estadual, faltam professores em praticamente todas as disciplinas, desde Matemática, Português, até Artes e Ensino Religioso. Na última quarta-feira a promotora Cecília Carnaúba, da promotoria da Fazenda Pública Estadual, impetrou na Justiça uma Ação Civil Pública contra o Estado, para garantir a oferta de disciplinas que são consideradas obrigatórias na grade curricular, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação. ?Queremos que a Justiça determine a regularização dessa situação num prazo de 20 dias. Isso significa o suprimento da carência de professores e o funcionamento pleno das escolas, cobrindo todas as disciplinas da grade curricular com um quadro mínimo de 25 alunos por professor?, diz a promotora Cecília Carnaúba. ### Aluno alagoano custa R$ 1.200/ano De acordo com a promotora, a rede de ensino do Paraná, de onde está sendo copiado o sistema de informatização e organização da nossa rede, é praticamente igual à de Alagoas na proporcionalidade aluno/professor, com uma pequena vantagem numérica para o nosso Estado. Mas a realidade funcional das duas é muito diferente, com uma larga vantagem qualitativa para o Paraná. Enquanto a nossa rede amarga deficiências históricas, a de lá é considerada uma das melhores e mais bem cobertas do País. ### 30% da rede estadual tem carência de professores Não é a primeira vez que o Ministério Público Estadual interfere na tentativa de cobrar do Estado o cumprimento do que determina a Constituição Brasileira, no artigo 205 e seguintes, e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação, em relação à obrigação do Estado para com a educação. Em 2007, essa mesma questão entrou em pauta, e um levantamento do MP mostrou que, naquele ano, em 23 escolas do Estado deixaram de ministrar disciplinas diversas por falta de professores. Em algumas, como a Escola Maria Salete Araújo, a carência atingia mais da metade das disciplinas programadas na grade. Hoje, segundo a promotora Cecília Araújo, há carência de professores em 30% das escolas da rede estadual, na capital e no interior de Alagoas. ?Faltam professores de Português, Matemática, Filosofia, História, Química, Física, Sociologia, Geografia, Artes, entre outras?, diz a promotora. P ### ?Arrumadinho? garante aprovação de alunos A situação é antiga e afeta muitas escolas, segundo a professora Maria Consuelo Correia, secretária geral do Sindicato dos Trabalhadores da Educação (Sinteal). Ela diz que existem unidades de ensino na rede estadual que desde 2004 não oferecem determinadas disciplinas porque não têm professores. Em algumas, o calendário é concluído com um ?arrumadinho?, segundo ela, recomendado pela própria secretaria da Educação, em que professores registram a carga horária exigida pela LDB para o ano inteiro, mesmo tendo chegado nos final do ano. ?Ele chega no último mês de aula; às vezes nos últimos dias, aplica um ou dois trabalhos nas turmas que não tiveram aulas, dá as notas para que os alunos passem de ano?, diz. ///

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