Cidades
Crian�as acorrentadas em favelas
Enquanto um jovem de 16 anos, aluno da 5ª série do Colégio Tarcísio de Jesus, no bairro do Vergel do Lago, não pode mais ir à escola por medo de outros adolescentes que brigam por ?disputa de território?, um menino, de 12 anos, passa o dia acorrentado, ora à uma cadeira, em casa, ora ao carro de mão em que a mãe, desempregada, caminha pelas ruas catando papel. ### Sofrimento de garoto já dura um ano O drama de Josefa Maria Lira da Silva começou há um ano, quando descobriu que L.L.S., seu único filho, ao deixar a escola não retornava para a casa, um barraco de tábuas e papelão, na Favela Sururu de Capote. Da escola ele seguia para as ruas do Centro, onde se juntou a meninos de rua. ### Catadora tenta disfarçar angústia por situação Ao ver o único filho acorrentado, a catadora Josefa Maria Lira tenta disfarçar a angústia que sente. Mas seus olhos se enchem de lágrimas, sua voz treme. ?Tudo que eu preciso é de ajuda para salvar meu filho?, lamenta, ao justificar a atitude que adotou há cerca de um ano. ### Crianças são impedidas de ir à escola O caso de M.A.S, 16, adolescente que teme ir para a escola para não ser espancado por gangues do bairro vizinho onde mora, é tão grave quanto o de L.L.S., o menino acorrentado pela mãe. Para chegar à escola, M., também morador da Sururu de Capote, tem que atravessar os conjuntos Virgem dos Pobres 1 e 2, no Vergel, onde a ?disputa por território? é um sério problema social. /// O garoto L.L.S., de 12 anos, passa o dia acorrentado para tentar escapar das drogas: uma realidade comum em muitos bairros. Foto: José Feitosa