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Alagoas realizou 1.373 abortos em 2008

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A clandestinidade do ato impede os registros oficiais, por isso não há estatísticas sobre o problema. Entretanto, especialistas do assunto afirmam, unanimemente, que o aborto continua sendo um dos graves problemas da saúde pública em Alagoas. Para que se tenha ideia da gravidade, em 2008, somente a unidade avançada Paulo Netto, do Hospital da Mulher, em Maceió, realizou 1.373 curetagens, um procedimento para retirada de restos de placenta ou qualquer outro material do útero. Espontaneamente, ou não, o certo é que todas essas mulheres abortaram. No atendimento humanizado adotado atualmente pelos hospitais, especialmente naqueles direcionados à mulher, não é ético perguntar a causa do aborto ou fazer qualquer comentário a respeito. ### Citotec é primeira opção para abortar A substância misoprostol, popularmente vendida sob o nome Citotec, continua sendo a primeira opção das mulheres que abortam em Alagoas. Nos hospitais, é rotina os médicos encontrarem restos ou até mesmo o comprimido inteiro, no útero das pacientes. Se em 2008 a maternidade Paulo Netto, em Maceió, registrou 1.373 curetagens (raspagem do útero para retirada de restos de material placentário ou para exames), nos dois primeiros meses deste ano este procedimento já foi realizado 249 vezes naquela unidade hospitalar. Pela mesa cirúrgica passam mulheres com idade entre 14 e 25 anos, a quem não resta outra opção senão abortar. Seja por desinformação sobre métodos contraceptivos, seja pela pressão do namorado ou companheiro, e ainda pelo medo do desemprego. Adolescentes pobres, comerciárias e empregadas domésticas formam o maior contingente de mulheres alagoanas que abortam. ### Profissionais discordam de Igreja Católica Na discussão sobre o caso da menina pernambucana de nove anos em quem foi feito aborto, a posição da Igreja Católica de excomungar aqueles que levaram a essa medida está em completo antagonismo com médicos, advogados e militantes feministas de Alagoas. A unanimidade de opiniões é tão gritante que até mesmo pessoas que se apresentam como católicos fervorosos, caso da vereadora maceioense Fátima Santiago, concordam que a decisão dos médicos que fizeram o aborto da menina foi totalmente acertada e legal. ?Sou radicalmente contrária ao aborto, mas no caso específico não havia outra solução. Estavam presentes duas condições que justificavam a decisão, o risco para a mãe e o crime de estupro?, opina a vereadora, obstetra que costuma proferir palestras sobre a saúde de mulher. ### Excomunhão corresponde a desfiliação No entendimento do padre alagoano Manoel Henrique Soares, a excomunhão é tão natural na Igreja Católica, quanto seria a expulsão de um filiado a um partido político que infrinja as normas partidárias, ou de um aluno que desobedece o regulamento escolar. Significa, acrescenta ele, que aquele que descumpre os preceitos do catolicismo é colocado ?fora da unidade da igreja?. Trata-se, ressalta Henrique Soares, de uma pena religiosa, aplicável somente aos católicos, sendo desnecessária, portanto, a polêmica sobre o episódio registrado em Pernambuco. Quanto ao aborto, ele repete o que aprendeu e acredita: é inaceitável a despeito de quaisquer situações, inclusive quando há risco para a gestante. ///

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