Cidades
Jovens abandonam lar para n�o morrer
Eles são jovens e deveriam aproveitar o que esta fase proporciona: diversão, amores, oportunidades e escolhas. Porém, o que a vida reservou foi um amargo presente e a indecisão de um futuro. São três adolescentes e uma história em comum: estão jurados de morte e tiveram que ser afastados do ambiente familiar, dos amigos, da escola, para se esconderem em um abrigo. Dois deles enfrentam com pouca idade um problema que já é considerado crônico para a sociedade, autoridades da área de segurança do Estado e governos: o tráfico de drogas. Foi um dia antes do Natal do ano passado, que a avó do garoto J.A.G.S., de 13 anos, procurou o Conselho Tutelar, localizado no Centro. Desesperada, alegava que iria perder o neto para os traficantes e decidiu pedir a ajuda da conselheira Lena Carvalho. O adolescente não poderia voltar para casa, iria morrer. ### Abrigados são tidos como perigosos Aos 12 anos, D.Q.N. é considerado pelo abrigo que o acolheu como perigoso. ?Se ele faz questão de dizer que já matou, eu tenho que considerá-lo perigoso?, conta Lena. O adolescente chegou na quarta-feira (11) ao Conselho, na companhia de sua prima, e pediu ajuda. ?Ele disse que traficantes tentaram matá-lo um dia antes?, explica. Lena recorda que pensou em seus filhos e não teve como negar proteção. O pequeno, que era usuário de crack, foi encaminhado para o abrigo no mesmo dia que chegou. Apesar de poucos dias no local, o garoto apresentou alguns problemas comportamentais e estar preocupando os coordenadores. ?Eles temem pela integridade física dos outros adolescentes?. O terceiro adolescente ainda tem a marca dos quatro tiros em seu corpo, resultado de um atentado que sofreu antes de encontrar proteção nas acomodações do abrigo. ### Abrigos não têm estrutura adequada Os Conselhos Tutelares, que são, na maioria das vezes, os porta-vozes daqueles que buscam proteção, acumulam em seus arquivos, a cada dia, mês e ano, números de casos de adolescentes que sofrem ameaças. Quando cada jovem expressa seu problema, a preocupação dos conselheiros é o que fazer com aqueles que não têm mais para onde ir. O conselheiro Edson Correia de Souza, responsável pela área do Tabuleiro do Martins, apontou que somente no ano passado, 185 adolescentes procuraram ajuda. O abrigo acaba se tornando uma garantia de uma segurança provisória para aquele jovem que não pode voltar para casa. Quando é fornecido um local seguro, inicia-se a busca por parentes, que possam receber o protegido, no interior de Alagoas ou em outros Estados. ### Programa está disponível em Alagoas O que basta para firmação do programa no Estado é um convênio com uma entidade Caso o adolescente seja ?aprovado?, ele e sua família serão alocados para outro Estado e terão suas despesas pagas pelo programa. Instituído desde 11 de outubro de 2007, pelo presidente Lula, o programa, que ainda não foi implantado no Estado, já está disponível para os jovens alagoanos. O que basta para sua firmação no Estado é um convênio com uma entidade. ?O objetivo do convênio será a execução propriamente dita do programa. O edital de chamamento público foi lançado no dia 14 de janeiro de 2009 e as inscrições encerraram no dia 2 de março. Os inscritos foram o Cedeca (Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Zumbi dos Palmares) e o Fórum Permanente Contra a Violência em Alagoas?, explica Renata. ### Polícia Civil busca qualificar seus agentes Alagoas ainda não possui um diagnóstico preciso do estrago que o tráfico de drogas vem provocando nos adolescentes. A cúpula da Polícia Civil está consciente desta informação e enviou para Brasília, no dia 14 de março, o policial Maivan Fernandes, que representará Alagoas no curso de Análise Criminal. O objetivo, explica a delegada Luci Mônica Rabelo, responsável pelo Departamento de Estatística, é o aperfeiçoamento dos agentes da Polícia Civil na análise de um homicídio e, consequentemente, na busca pelos criminosos. ?As investigações de um crime precisam ir além de depoimentos de familiares da vítima e testemunhas, que muitas vezes até atrapalham o resultado. A vítima pode ser o maior traficante, mas se sua família alega que ele não tem ligação com o tráfico, é isso que será levado em conta no Boletim de Ocorrência?, explica a delegada. *Sob a supervisão da editoria de Cidades ///