O SOCORRO QUE VEM DO CÉU
Departamento aéreo de Alagoas amplia atuação em resgates
Efetivo é formado por pilotos, operadores, mecânicos e equipe médica em Maceió e Arapiraca


Em Rio Largo, Maciel Alexandre da Silva Santos, de 55 anos, permaneceu isolado por quatro dias em uma área alagada, cercada por mata fechada e redes de alta tensão. Com desidratação e suspeita de fraturas, o homem aguardava socorro enquanto viaturas do Corpo de Bombeiros tentavam chegar por terra, mas acabavam atoladas no terreno. A localização e a retirada da vítima só ocorreram quando o helicóptero Falcão 05, do Departamento Estadual de Aviação (DEA), realizou um pouso em um espaço estreito no vale e concluiu o resgate.
Esse cenário de intervenção aérea se repetiu em Ipioca, em novembro do ano passado, no resgate de uma criança de três anos, vítima de afogamento, quando a equipe do DEA pousou em dez minutos para realizar manobras de reanimação.
As operações ilustram o papel do Departamento Estadual de Aviação em Alagoas, que passou a atuar de forma integrada para reduzir o tempo de resposta em situações de gravidade, em que cada minuto é decisivo. Até novembro de 2025, as aeronaves do Estado registraram 1.544 acionamentos, superando a marca de 1.423 chamados de 2024. A atuação abrange missões policiais, atendimentos de saúde, buscas por desaparecidos, salvamentos e transportes de órgãos.
De acordo com o diretor-presidente do órgão, coronel André Madeiro, o serviço opera de modo que a aeronave decole com o conhecimento prévio da ocorrência e com a equipe necessária para o atendimento específico. A integração com o setor de saúde ocorre por meio do Programa Salva Mais, que, em 2025, contabilizou 421 atendimentos aeromédicos, entre resgates em campo e transferências inter-hospitalares de pacientes graves.
Na segurança pública, o apoio aéreo realizou 696 missões no mesmo período, incluindo patrulhamentos e transporte de tropas para monitoramento de áreas e acompanhamento de suspeitos. O coronel André Madeiro destaca que a presença da aeronave altera a dinâmica das operações ao ampliar o campo de visão e oferecer segurança às equipes que atuam em solo, permitindo o acesso rápido a locais de difícil alcance.
Para sustentar essa demanda, o DEA mantém uma estrutura de 168 profissionais, composta por pilotos, operadores, mecânicos e equipes médicas, distribuídos nas bases de Maceió e Arapiraca.
A frota é formada por seis helicópteros e dois aviões, com funções distintas: o AW119 Koala atende policiamento e resgates; o Airbus H135 opera em voos noturnos e em clima adverso; o Esquilo AS350 é voltado ao patrulhamento, e o Falcão 05 é configurado como UTI aérea. Na aviação de asa fixa, os modelos Baron 58 e Cessna 210 realizam as remoções de pacientes entre hospitais. A agilidade do serviço é medida pelo tempo médio de decolagem, que ocorre entre dois e três minutos após o chamado, com chegada ao local da ocorrência variando de cinco a 20 minutos, dependendo da distância.
Em 2025, o órgão passou a contar com orçamento próprio, estimado em R$ 23 milhões, valor destinado à manutenção e à ampliação da capacidade de resposta simultânea a ocorrências graves. O planejamento estratégico da instituição aponta para a modernização da frota e a expansão da infraestrutura aeroportuária no interior do estado.
O cronograma prevê o início das operações nos aeroportos de Penedo e Maragogi, além da construção de novos aeródromos em Delmiro Gouveia e Santana do Ipanema, visando facilitar o transporte de pacientes de alto risco e o suporte logístico na região do Sertão alagoano. Segundo o comando do departamento, esses investimentos buscam consolidar o modelo de aviação pública integrada, com foco na eficiência e na proteção à vida.
