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PESQUISAS

Ufal inicia buscas arqueológicas para mapear novo território quilombola

Escavações entre Alagoas e Pernambuco podem revelar vestígios de mocambos na região de Palmares

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Uma das expectativas dos pesquisadores é localizar os possíveis locais de sepultamento dos negros
Uma das expectativas dos pesquisadores é localizar os possíveis locais de sepultamento dos negros | Foto: Foto: Reprodução/DW

O tamanho do território ocupado por população negra em busca de liberdade em Alagoas, no período colonial, e os costumes desse povo estão perto de ter seu entendimento ampliado. Uma equipe multidisciplinar formada por pesquisadores da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) — Campus do Sertão, em parceria com outros pesquisadores, inicia agora, em janeiro, escavações na região entre os municípios de Chã Preta (AL), Correntes (PE) e Lagoa do Ouro (PE), onde podem ter sido estabelecidos aglomerados de mocambos que faziam parte do território pertencente ao Quilombo dos Palmares.

Esse trabalho parte de relatos de holandeses que estiveram no mesmo território na época colonial e foi ampliado com a descoberta do cartógrafo histórico Levy Pereira, que identificou, na biblioteca digital da Universidade de Harvard (EUA), um mapa, até então desconhecido, que integra versão manuscrita de Brasilia Qua Parte Paret Belgis (A parte do Brasil que pertence aos neerlandeses), livro do matemático e naturalista George Marcgraf.

O arqueólogo, professor da Ufal e um dos coordenadores do grupo de pesquisadores, Flávio Moraes, esclarece que a escavação a ser realizada neste momento busca delimitar a área de interesse do estudo. “Não vai ser uma escavação arqueológica. Serão escavações de sondagens em espaços controlados, bem delimitados e pontuais, para que a gente tenha uma caracterização da subsuperfície e identifique se há algum tipo de material ou artefato naquele lugar, para caracterizar a área, o sítio arqueológico em si”, detalha.

Os pesquisadores esperam encontrar algum objeto de metal e/ou cerâmico, além de ter a expectativa de localizar os possíveis locais de sepultamento dessas pessoas. Moraes conta que, nessa etapa de prospecção, vai conversar com os proprietários das terras para fazê-los entender que não haverá prejuízos. “É apenas um estudo daquilo que está abaixo do solo e depois a gente enterra tudo, e tudo volta a ser normal, porque o importante é resgatar a informação, a história que está ali soterrada”, relata.

Moraes pondera que ainda não há uma dimensão real do tamanho desse território. “O mapa só confirma e amplia o universo das informações que a gente coletou e elaborou para construir as nossas hipóteses, porque todo o trabalho é baseado nas informações dos cronistas holandeses. Então, ele apenas nos ajudou a reforçar a hipótese que elaboramos”, conclui.

A Fundação Cultural Palmares (FCP) é financiadora da pesquisa. Um Termo de Execução Descentralizado (TED), que investirá R$ 300 mil na realização do estudo, foi assinado no último dia 20 de novembro.

A equipe é composta ainda por Onésimo Santos e Daniel Kim, arqueólogos; Bruno Miranda, Danilo Marques e Zezito Araújo, historiadores; Vagner Bijagó, antropólogo; e Leandro Pereira, responsável pelo audiovisual.

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