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MEIO AMBIENTE

Risco de importunação a animais aumenta na alta temporada em AL

Caso recente com peixe-boi na Pajuçara reacende alerta sobre interação ilegal com animais silvestres nas regiões turísticas

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Vídeo divulgado nas redes sociais mostra um peixe-boi-marinho sendo cercado e importunado
por pessoas, na Praia de Pajuçara, em Maceió
Vídeo divulgado nas redes sociais mostra um peixe-boi-marinho sendo cercado e importunado por pessoas, na Praia de Pajuçara, em Maceió | Foto: Divulgação

Na última semana, imagens que mostram um peixe-boi-marinho sendo cercado e importunado por pessoas, na Praia de Pajuçara, em Maceió, reacenderam o alerta de ambientalistas sobre os riscos da interação humana com animais silvestres, especialmente diante do aumento do fluxo de visitantes durante a alta temporada.

Segundo o presidente do Instituto Biota de Conservação, Bruno Stefanis, o chamado “molestamento” de animais é uma infração ambiental e pode resultar em multa e outras penalidades, conforme avaliação do órgão ambiental competente. Em Alagoas, a apuração e a definição das sanções cabem ao Instituto do Meio Ambiente (IMA).

Qualquer ação humana que perturbe o comportamento natural de um animal silvestre é caracterizado como molestamento, seja tocar, alimentar, perseguir, aproximar-se além do permitido ou tentar tirar fotos. De acordo com Bruno Stefanis, esse tipo de interação está entre os principais riscos enfrentados por espécies de grande porte, como tartarugas marinhas e peixes-boi.

“Esses animais são vistos como ‘fofinhos’, e as pessoas querem subir neles, abraçar, acariciar, dar comida e tirar fotos. Isso faz com que o animal deixe de cumprir sua função biológica e passe a se aproximar cada vez mais de pessoas, inclusive de quem pode ter má intenção”, explicou.

O ambientalista alerta que o estresse provocado por essas ações pode causar ferimentos, alterações de comportamento e até a separação entre mães e filhotes. Há ainda o risco de ataques diretos, como facadas e golpes com objetos, além do fornecimento de alimentos inadequados, incluindo bebidas alcoólicas e produtos industrializados.

Outro perigo citado é a aproximação excessiva de embarcações. “Quando o animal se acostuma com pessoas, ele passa a procurar barcos e pode ser atropelado. As hélices podem causar ferimentos gravíssimos e até a morte”, destacou.

De acordo com o Instituto Biota, o número de acionamentos por interação irregular com animais silvestres tem aumentado. Isso ocorre por dois fatores principais: o crescimento do número de pessoas nas praias e o avanço da comunicação digital. Com a permanência do peixe-boi na região de Pajuçara e o aumento do fluxo de turistas e moradores no fim de ano, a preocupação é que novos episódios de importunação se repitam, transformando o período festivo em um cenário de risco constante para o mamífero aquático.

O Instituto Biota realiza campanhas educativas, com distribuição de cartazes em órgãos ambientais, prefeituras, Corpo de Bombeiros e associações, além de diálogo com lideranças do setor turístico e uso das redes sociais e da imprensa. O foco principal é o público local, já que os turistas permanecem pouco tempo na região.

Apesar dos esforços de conscientização, o ambientalista avalia que apenas informar não é suficiente. “Hoje falta punição. A conscientização existe, o acesso à informação também, mas, sem sanções, as pessoas continuam fazendo. Barqueiros e jangadeiros que permitem ou incentivam esse tipo de ação precisam ser punidos para que sirva de exemplo”, afirmou Bruno Stefanis.

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