Cidades
Sem-terra reclamam da fome no Dia do Agricultor
No Dia do Trabalhador Rural, comemorado ontem, cerca de duas mil pessoas que integram o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), acampadas na Praça da Faculdade, amanheceram o dia revoltadas com a falta de comida, iluminação e água, que havia sido negociada anteriormente com o governo do Estado, para a estada em Maceió. Alguns chegaram a ameaçar efetuar saques, caso a alimentação não fosse providenciada. ?Nós chegamos na quarta-feira para fazer um registro pacífico da data, até mesmo porque não temos nada a comemorar, mas está difícil segurar o povo aqui com fome?, disse Valter Araújo, um dos coordenadores do MST. Durante o início da manhã, policiais da Comissão de Direitos Humanos da Polícia Militar tentaram acalmar os ânimos dos trabalhadores que reclamavam da fome. Por volta das 10 horas, representantes do Instituto de Terras de Ala-goas (Iteral) trouxeram pães e salame à praça. Desapropriações ?Não estamos pedindo esmolas, queremos nossos direitos e, além do mais, tudo já havia sido previamente combinado com o governo para esse dia de ato pacífico?, ressaltou Valter. Segundo as suas informações, mais de 15 mil famílias necessitam de desapropriações de terras em Alagoas e de outras ações como a continuidade do programa de distribuição de cestas básicas. Obrigação ?O povo está com fome às margens das BRs e pode haver mais saques e violência até mesmo porque o governo cortou as cestas básicas desde o início do ano, para substituir pela bolsa-alimentação, mas não dá para uma família viver com apenas R$ 15,00 por mês?, salientou Valter Araújo No entendimento do militante do MST, os governantes têm a obrigação de oferecer condições de sobrevivência a esse povo faminto. Tourinho quer levar sem-terra a Brasília Representantes dos movimentos dos sem-terra em Alagoas (Movimento dos Trabalhadores, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra e Comissão Pastoral da Terra) foram recebidos, ontem, Dia do Agricultor, no Palácio Floriano Peixoto, pelo governador em exercício, desembargador Fernando Tourinho. Ele propôs uma audiência com o presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, para discutir o programa de reforma agrária, que este ano ainda não assentou nenhuma família em Alagoas. Reivindicação Os movimentos dos sem-terra reivindicaram do governador em exercício algumas questões de responsabilidade do governo de Alagoas, a exemplo da alimentação das famílias acampadas na Praça da Faculdade, no bairro do Prado, e o pagamento de monitores contratados pela Secretaria de Educação para programa de alfabetização nos assentamentos. Participaram também do encontro secretários, o comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Jadir Ferreira; o ouvidor-geral, Geraldo Majella; a defensora pública, Idelva Ferreira; e o superintendente regional do Incra, José Quixabeira Neto.