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CRATERA

Voçoroca avança e gera emergência na cidade de Branquinha

Reconhecimento federal mira contenção; especialistas alertam para riscos crescentes na capital e região metropolitana

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Imagem ilustrativa da imagem Voçoroca avança e gera emergência na cidade de Branquinha
| Foto: Reprodução

O avanço de uma voçoroca, processo erosivo que forma crateras profundas, levou o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR) a reconhecer situação de emergência em Branquinha, no interior de Alagoas. A erosão atinge o conjunto residencial Raimundo Nonato, no platô 2, e já compromete um trecho da via de acesso ao local, provocando apreensão entre moradores.

Segundo a Prefeitura de Branquinha, a grande cratera surgiu há cerca de três anos e segue em expansão, com o aparecimento de novos focos erosivos na área. O coordenador da Defesa Civil Municipal, José Artur Vasconcelos, afirma que o reconhecimento, concedido por risco ambiental, permite pleitear recursos federais para conter a erosão e recuperar a área degradada.

O problema, porém, não se restringe ao interior. Em Maceió e na região metropolitana, voçorocas também ameaçam comunidades. O professor Bruno Ferreira, do Instituto de Geografia, Desenvolvimento e Meio Ambiente da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), estuda o fenômeno na capital e explica que se trata de um dos processos erosivos mais graves. “São cicatrizes do relevo formadas por erosão acelerada, geralmente associadas à retirada da cobertura vegetal e à drenagem inadequada de águas e esgotos”, afirmou.

Segundo o pesquisador, essas feições podem surgir tanto em áreas urbanas quanto rurais, mas se tornam especialmente perigosas quando avançam sobre bairros periféricos. “Elas desestabilizam o solo, ameaçam residências e vias e expõem a população a riscos elevados, principalmente durante períodos de chuva”, disse.

Em Alagoas, os processos de voçorocamento são mais comuns na Zona da Mata e no Litoral, regiões de clima úmido. Em Maceió, estão ligados à expansão urbana sobre os tabuleiros costeiros e à abertura de vias em encostas íngremes, áreas antes protegidas por vegetação densa. A impermeabilização do solo e a canalização inadequada da água intensificaram a erosão.

Bruno Ferreira aponta como áreas mais ameaçadas na capital os bairros do Clima Bom, Santa Amélia, Sítio São Jorge, Benedito Bentes, Fernão Velho e Jacarecica. No Clima Bom, uma voçoroca às margens da BR-316 já ameaça a integridade da rodovia; em Santa Amélia, crateras avançam em direção a casas e ruas.

Ferreira ressalta que a chuva não é a causa do problema, mas um fator que agrava processos já instalados. “Chover faz parte das características naturais da região. O risco surge da ocupação sem planejamento, da falta de infraestrutura urbana e de políticas públicas adequadas”, afirmou. Sem intervenção, as voçorocas tendem a crescer por décadas, ampliando danos ambientais e riscos à população.

A contenção é possível, segundo o pesquisador, mas exige estudos específicos, obras estruturais, requalificação da drenagem, recomposição vegetal e, em casos extremos, a realocação de moradias. Ele alerta, porém, que ainda faltam dados consolidados sobre o número de voçorocas em Maceió. Pesquisas da Ufal estão em andamento, mas avançam lentamente devido à dificuldade de acesso às áreas e à escassez de financiamento.

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