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GESTAÇÃO

Partos normais caem 16%, e cesáreas chegam a 58% dos nascimentos em AL

Médica alerta que falta incentivo ao procedimento vaginal, e cultura enraizada valoriza o modo sem dor

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De janeiro a setembro de 2025, 30,8 mil mulheres deram à luz em Alagoas
De janeiro a setembro de 2025, 30,8 mil mulheres deram à luz em Alagoas | Foto: — Foto: Assessoria

A cesariana já responde por 58% dos partos realizados em Alagoas, enquanto os chamados partos normais registraram queda de 16% na comparação entre os anos de 2021 e 2024, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Os números mostram que, de janeiro a setembro de 2025, 30,8 mil mulheres deram à luz em Alagoas. Desse total, quase 18 mil foram submetidas à cirurgia cesariana, e 12,8 mil tiveram partos por via vaginal, correspondendo, respectivamente, a 58,1% e 41,8% dos casos.

A médica obstetra do Hospital da Mulher Ianara Lemos avalia que o cenário é resultado da falta de incentivo ao parto normal durante o pré-natal. Segundo ela, a cesariana ainda está enraizada na cultura como um parto sem dor, seguro e sem riscos, enquanto o parto normal é visto como algo associado ao sofrimento da mulher.

A médica obstetra do Hospital da Mulher Ianara Lemos avalia que o cenário é resultado da falta de incentivo ao parto normal durante o pré-natal
A médica obstetra do Hospital da Mulher Ianara Lemos avalia que o cenário é resultado da falta de incentivo ao parto normal durante o pré-natal | Foto: Ascom/Sesau

A cesariana é um procedimento cirúrgico de grande porte e apresenta riscos como hemorragias, infecções puerperais, lesões de órgãos e dificuldades para o aleitamento materno. Já o parto vaginal pode apresentar riscos como lacerações, hemorragias – em menor grau quando comparadas à cirurgia cesariana – e infecções. “Porém, o parto vaginal permite uma recuperação mais rápida, favorece a criação do vínculo entre mãe e recém-nascido e possibilita maior rapidez na descida do leite, facilitando o aleitamento materno”, esclarece Ianara Lemos.

Segundo a médica, a principal forma de preparação para o parto normal é o conhecimento. A enfermeira obstétrica Suzangela Mendonça, coordenadora técnica de Atenção à Saúde da Mulher de Maceió, explica que é necessário observar um conjunto de fatores, como a redução da taxa de natalidade, o direito da mulher de optar pela via de parto, questões culturais e situações clínicas da gestante e/ou do bebê.

Suzangela destaca que a preparação para o parto normal pode ocorrer desde o pré-natal nos serviços públicos. “Outro recurso tem sido a vinculação da gestante à maternidade para onde ela será encaminhada no momento do parto, com a possibilidade de visitas durante a gestação, o que gera mais confiança e tranquilidade”, avalia.

DADOS

Em 2024, foram registrados 45,6 mil partos em Alagoas, sendo 58% cesáreos e 41,9% normais. No Brasil, nos últimos três anos, foram registrados mais de 1,5 milhão de partos entre janeiro e setembro de 2025 (606,9 mil vaginais e 960,7 mil cesarianas); 2,3 milhões em 2024 (940,4 mil vaginais e 1,4 milhão de cesarianas) e, em 2023, 2,5 milhões de partos, com pouco mais de um milhão normais e 1,5 milhão de cesarianas.

DUDA, A MÃE DA MARIA

Eduarda Barros é mãe de Maria, que nasceu em outubro do ano passado.
Eduarda Barros é mãe de Maria, que nasceu em outubro do ano passado. | Foto: Cortesia

“Eu me preparei a gestação inteira para ter um parto normal. Fiz pilates, fisioterapia pélvica, li, estudei e fiz tudo o que estava ao meu alcance para tentar ter um parto pela via normal”. A fala é da nutricionista Eduarda Barros, mãe de Maria, que nasceu em outubro do ano passado.

Apesar da frustração por não conseguir o parto normal, Eduarda lembra que o obstetra optou pela cesariana devido aos picos pressóricos apresentados no fim da gestação. “Isso seria um fator de risco para ela e para mim. A pressão não baixava, então o médico achou melhor fazer a cesárea”, relatou.

A nutricionista conta que a experiência não foi a melhor, principalmente por causa da anestesia. “É algo que mexe muito com a gente, você fica vulnerável. São várias camadas cortadas, a recuperação não é das melhores. Quando você é uma pessoa muito independente, perde essa autonomia. Mas eu queria que fosse saudável para a minha filha. O que os médicos orientaram, eu ouvi e acatei”, concluiu.

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