CAPACITAÇÃO
PMAL treina militares para uso de armas de choque com foco em redução de letalidade
Corporação tem 480 Tasers X2 que imobilizam suspeitos temporariamente por impulsos elétricos


A Polícia Militar de Alagoas (PMAL) iniciou, nesta semana, a capacitação de policiais para o uso das armas de incapacitação neuromuscular, conhecidas como tasers. Os equipamentos integram o conjunto de instrumentos de menor potencial ofensivo e estão inseridos em uma política voltada à redução da letalidade policial e à preservação da vida, tanto de agentes de segurança quanto da população.

De acordo com a Diretoria de Comunicação Social da PMAL, o treinamento começou na segunda-feira (19) e está sendo conduzido pela Diretoria de Ensino, Instrução e Pesquisa (Deip), com apoio da Diretoria de Logística (DLog). Nessa etapa inicial, 74 policiais militares de batalhões de área, unidades especializadas e companhias independentes participam da formação. Após a capacitação, esses agentes atuarão como multiplicadores, repassando o conteúdo às demais equipes nas unidades.
Segundo a coronel Josiene Lima, diretora de Comunicação Social da PMAL, a formação é essencial para garantir o uso correto do equipamento. Ela afirma que a instrução abrange aspectos técnicos, legais e operacionais, além de protocolos de segurança, com o objetivo de assegurar que o uso ocorra de forma proporcional e responsável.
DISTRIBUIÇÃO E INVESTIMENTO

A PMAL recebeu 480 kits da arma de incapacitação neuromuscular Taser, modelo X2. Os equipamentos já foram incorporados à carga da corporação e distribuídos de forma proporcional entre as unidades operacionais em todo o estado.
O investimento está relacionado à adesão do Governo de Alagoas, em 2025, ao Projeto Nacional de Qualificação do Uso da Força e de Câmeras Corporais, coordenado pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, por meio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). O aporte total é de aproximadamente R$ 12 milhões, com recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública.
USO PROGRESSIVO DA FORÇA
A incorporação das tasers representa uma ampliação das alternativas operacionais da PMAL dentro da doutrina do Uso Diferenciado da Força, adotada na formação dos policiais. A corporação destaca que a simples disponibilidade do equipamento não é suficiente sem treinamento técnico adequado, especialmente para evitar o emprego desnecessário de armas de fogo e ampliar as possibilidades de resolução segura de ocorrências críticas.
ACOMPANHAMENTO DO MINISTÉRIO PÚBLICO
O Ministério Público de Alagoas acompanha a implementação das tasers por meio da 62ª Promotoria de Justiça da Capital, responsável pelo controle externo da atividade policial. A promotora Karla Padilha informou que as primeiras inspeções já foram realizadas, como no 12º Batalhão da PM.
Segundo a promotora, o comando da unidade informou que a efetiva utilização dos equipamentos dependia da conclusão de um treinamento específico, exigido inclusive pela empresa fornecedora, sob risco de perda da garantia. A expectativa é que a capacitação seja finalizada em um prazo estimado entre um e dois meses.
Para o Ministério Público, o uso de armas de menor potencial ofensivo é fundamental para a aplicação do uso progressivo da força, reservando o emprego da arma de fogo apenas para situações extremas.
NORMAS E FISCALIZAÇÃO
Embora não exista um protocolo específico em Alagoas exclusivamente voltado às tasers, a fiscalização ocorre com base em normas nacionais que regem a atuação policial. O Ministério Público acompanha tanto a distribuição quanto a utilização dos equipamentos e deve solicitar um cronograma detalhado sobre o início do uso efetivo ao longo de 2026.
REDUÇÃO DA LETALIDADE
Na avaliação do Ministério Público, a adoção das tasers representa um avanço na política de redução da letalidade policial, especialmente quando associada a outras medidas, como o uso de câmeras corporais.
Do ponto de vista da PMAL, a expectativa é que os dispositivos contribuam para o gerenciamento de ocorrências de alto estresse, ampliando a segurança de policiais e cidadãos e favorecendo a desescalada de conflitos.
COMO FUNCIONA
A taser é um dispositivo de incapacitação neuromuscular que dispara dardos conectados por fios, liberando impulsos elétricos controlados que provocam contrações involuntárias dos músculos, imobilizando temporariamente o indivíduo. O efeito é momentâneo e, conforme os protocolos, o equipamento não tem como objetivo causar lesões permanentes, sendo indicado para situações de resistência ativa ou ameaça que não justifiquem o uso de arma de fogo.
