EM BUSCA DE HABITAT
BPA resgata 105 jacarés em áreas urbanas de Alagoas
Mudança na paisagem e busca por alimentos levam animais silvestres para residências; órgãos ambientais fazem alerta


O aparecimento de jacarés em áreas urbanas de Maceió tem se tornado cada vez mais frequente. Dados do Batalhão de Polícia Ambiental (BPA) da Polícia Militar de Alagoas (PMAL) apontam que, em 2025, foram registrados 105 resgates desses animais no Estado. Em 2026, até o momento, já são cinco ocorrências contabilizadas.

Segundo o sargento Franklin Araújo, do BPA, a maior concentração de registros é no município de Marechal Deodoro e no bairro de Bebedouro, na capital alagoana.

No caso específico de Bebedouro, o sargento explica que a situação está relacionada à desocupação da área e à demolição de imóveis às margens do Riacho Silva e da Lagoa Mundaú. “Com a diminuição da presença humana e a mudança na paisagem, principalmente nas áreas próximas aos corpos d’água, os animais passam a procurar novas áreas para habitar. Os principais fatores que levam ao aparecimento dos jacarés são a busca por alimento, abrigo e locais adequados para reprodução”, explica.

A assessora de fauna e flora do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMA), Bárbara Ferreira, destaca que o fenômeno não se restringe a um ponto específico da cidade, mas é consequência direta da ocupação humana em áreas que antes integravam o habitat natural desses animais.
“A degradação da Mata Atlântica, de outros biomas e das áreas alagadas reduz os espaços disponíveis para esses animais”, acrescenta.
Bárbara Ferreira diz que o IMA monitora essas situações e identifica que regiões urbanas com lagoas, canais ou rios acabam registrando um número maior de casos, justamente porque esses ambientes ainda oferecem condições mínimas para a sobrevivência dos jacarés.

Após a denúncia de aparecimento de um jacaré, o BPA realiza o resgate seguindo protocolos técnicos que garantem a segurança da população e a integridade do animal.
“Após o resgate, o jacaré é encaminhado ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), administrado pelo IMA em parceria com o Ibama. No local, o animal passa por avaliação veterinária e acompanhamento técnico”, detalhou.
Caso o jacaré apresente ferimentos ou sinais de doença, ele permanece sob cuidados. Somente após esse processo ocorre a devolução à natureza, em áreas consideradas seguras e adequadas para a espécie.
Bárbara reforça que a população deve evitar qualquer tipo de contato com o animal. “Isso pode representar risco tanto para as pessoas quanto para o próprio animal. A recomendação é manter distância, evitar aglomerações e acionar imediatamente os órgãos competentes”, orienta.
O BPA também alerta que, se o jacaré estiver próximo às margens de um curso d’água e não oferecer risco imediato, a orientação é apenas manter distância. Já em situações em que o animal esteja dentro de residências ou em locais que representem perigo, o resgate deve ser solicitado imediatamente para evitar acidentes.
