BIODIVERSIDADE
Estudo da Fapeal analisa como nome do produto molda percepção do consumidor
A pesquisa foi contemplada com o Prêmio de Excelência Acadêmica
Um estudo realizado em Alagoas analisou como a nomenclatura de produtos derivados da biodiversidade influencia a disposição dos consumidores para experimentá-los. Conduzida pela doutora em Diversidade Biológica e Conservação nos Trópicos Élida Santos, a pesquisa foi contemplada com o Prêmio de Excelência Acadêmica, iniciativa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal).
Publicado na revista Food Quality and Preference e intitulado “From forest to table: the role of product naming in consumer expectations of biodiversity-derived foods”, o estudo investiga a relação entre a linguagem atribuída às plantas alimentícias silvestres (PAS) e a percepção da população em relação ao consumo desses alimentos e de seus derivados.
De acordo com Élida Santos, a pesquisa surgiu a partir da observação de que a aceitação de alimentos não convencionais pela população vai além do sabor.
A hipótese inicial era a de que o nome dado ao alimento poderia influenciar a forma como ele é recebido pelo consumidor.
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“Trabalhei com a avaliação sensorial de um fruto da Caatinga e, nesse processo, percebi que a aceitação não estava relacionada apenas às características do alimento, mas também às expectativas criadas em torno dele”, explicou a pesquisadora.
Os resultados confirmaram que produtos explicitamente associados às plantas alimentícias silvestres tendem a gerar expectativas mais negativas, especialmente quando o consumidor não tem familiaridade com o alimento. Por outro lado, nomes relacionados a plantas convencionais aumentam a aprovação para o consumo.
Outro fator identificado pela pesquisa foi a resistência ao consumo de alimentos desconhecidos, conhecida como neofobia alimentar. Essa variável se mostrou a que mais impacta negativamente a aceitação, funcionando como uma barreira constante à receptividade desses produtos.