Cidades
Sem-terra invadem sede do Incra e fazem 15 ref�ns
Centenas de sem-terra ligados aos três movimentos (MST, MT e CPT) ocuparam, ontem de manhã, a sede da Superintendência do Instituto Nacional de Colonização de Reforma Agrária (Incra), fazendo pelo menos 15 funcionários de reféns. À tarde, o clima ficou tenso, quando equipes das polícias Federal, Militar e Civil ameaçaram invadir o prédio para cumprir um mandado de reintegração de posse concedido pela Justiça Federal. Os sem-terra exigiam a renúncia do superintendente do Incra, José Quixabeira Neto, e a revogação da prisão do líder do MT, Valdemir Agostinho, que está foragido. Mas poucas horas após a invasão, o juiz federal da 3a Vara, Paulo Machado Cordeiro, concedeu reintegração de posse do imóvel, gerando todo um impasse entre os negociadores e os líderes do movimento. A invasão começou por volta das 10h30, pegando de surpresa os funcionários do Incra, que estavam esperando os sem-terra para uma reunião de negociação. Os servidores ficaram trancados dentro das salas, a exemplo do superintendente José Quixabeira, no momento da invasão estava com um funcionário do Incra de Brasília. Alguns funcionários de outros escritórios instalados no edifício Walmap conseguiram sair do prédio. Houve uma ameaça de confronto com militares, que estavam na porta do prédio. Começou um empurra-empurra e os sem-terra acabaram invadindo a sede do Incra. A partir daí, os policiais se afastaram da porta do edifício e foram para a porta de uma loja comercial e de um banco, que ficam ao lado do prédio. Segundo um dos coordenadores do MST, Marcos Antônio Silva (Marrom), a invasão do prédio aconteceu por causa da demora da superintendência em recebê-los em audiência, que estava marcada para as 11 horas. Mas na realidade, a intenção era ocupar a sede do Incra para forçar a saída do superintendente. Tensão Funcionários que trabalham no quarto e quinto andares ficaram trancados em suas salas durante a ocupação. Quixabeira, por sua vez, avisou que só receberia as lideranças dos sem-terra quando o prédio fosse desocupado. Por volta da 16h30, o clima ficou mais tenso, quando equipes da PF, comandadas pelo delegado Fernando Peres, chegou ao local com o mandado de reintegração de posse. No local, já estavam de prontidão equipes das polícias Civil e Militar, lideradas pelo secretário de Defesa Social, Antônio Arecippo, e o comandante geral da PM, coronel Ronaldo dos Santos. O delegado Fernando Peres chegou dizendo que iria cumprir o mandado judicial, mas depois resolveu negociar uma saída pacífica dos sem-terra. Peres então entrou no prédio acompanhado de militares da Comissão de Gerenciamento de Recursos Humanos, para negociar a saída dos sem-terra. As negociações se estenderam até a noite, quando os sem-terra aceitaram apenas liberar os funcionários, deixando Quixabeira e mais três funcionários como reféns. Em seguida, o deputado Paulão (PT) propôs que uma comissão procurasse o governador em exercício, desembargador Fernando Lima Souza, para resolver o impasse. A reunião demorou cerca de duas horas, quando as lideranças dos sem-terra concordaram em desocupar o prédio, com a condição de que fosse pedido o afastamento de Quixabeira.