Cidades
O retrato da situa��o do ensino em AL
Quando idealizou o complexo de ensino, em 1954, o então secretário de Educação do Estado, IB Gatto Falcão (1914-2008) pensava numa estrutura ampla de educação para oferecer formação técnica, profissional e artística para os jovens alagoanos. Queria as crianças e jovens na escola em tempo integral, participando de atividades didáticas e expandindo o conhecimento. Sob tal perspectiva, o grande complexo educacional foi concebido e criado no governo Arnon de Mello, mas só começou a funcionar de fato três anos depois, na gestão do então governador Muniz Falcão. Conquistou para não mais perder o título de maior complexo educacional da América Latina. Hoje, 55 anos depois, o Centro de Estudos e Pesquisas Aplicadas (Cepa) não escapou à decadência do ensino público em Alagoas. Sua luta agora é para provar que sua imensa estrutura ainda pode oferecer a qualidade de ensino que já foi capaz de ofertar num passado nem tão distante. ### Reformas não têm data para começar O projeto de revitalização do Cepa ainda não tem data prevista para acontecer de fato, mas se ocorrer tal qual foi explanado pelo superintendente de expansão e manutenção da rede física escolar da Secretaria Estadual de Educação (SEE), Raul Cleto, os mais de 13 mil alunos das onze escolas que formam o complexo terão muito o que comemorar. Segundo Raul, todas as escolas e as quadras desportivas serão recuperadas. O antigo ginásio do CDR também sofrerá intervenções, assim como as quadras hoje localizadas em frente à Escola Moreira e Silva, que ganharão cobertura. ### Escolas precisam de recursos humanos Em plena implantação do projeto de educação em tempo integral, onde os alunos permanecerão na escola durante dois turnos, além de estrutura física, as onze escolas necessitam urgente de material humano. Se o governo quiser ver o Cepa funcionando como ?antigamente? vai ter que promover também a revitalização e recuperação de seu quadro de funcionários. ?Temos várias escolas com carência de servidores da área administrativa, como secretárias escolares e merendeiras. No projeto de tempo integral, os alunos vão tomar banho e almoçar na escola. É precisos ter uma merendeira exclusivamente para preparar a refeição desses alunos?, diz a coordenadora do Cepa, Márcia Vieira. ### Assaltos amedrontam estudantes noturnos Na travessia do viaduto que cruza a Avenida Fernandes Lima, no bairro do Farol, os estudantes caminham apressados e desconfiados. A cada dez passadas, uma olhada rápida para trás. Os últimos metros, na descida até o portão de entrada, são mais perigosos e não têm iluminação. Local perfeito para o ataque dos bandidos. Vários estudantes já perderam celulares, dinheiros e outros pertences. A falta de segurança no entorno do Cepa é problema crônico e insiste em desafiar as autoridades. ?Temos que andar por aqui atentos, independente do horário. Ontem [terça-feira, 22], um amigo meu, que estuda no Maria José Loureiro, foi assaltado assim que terminou de atravessar o viaduto?, conta Otacília Ferreira, estudante do 3º ano da Escola Maria José Loureiro, localizado logo na entrada do complexo. ///