REDES DE ENSINO
Escolas atuam para barrar entrada de lanches com ultraprocessados
Estudo da Ufal revela que processamento industrial retarda sensação de saciedade e induz ao consumo excessivo


A proibição de alimentos ultraprocessados nas escolas orientada pelo Conselho Estadual de Alimentação Escolar de Alagoas (CEAE/AL) levou as redes de ensino a reforçarem as ações de educação alimentar. Em Maceió, a Secretaria Municipal de Educação (Semed) informou que a rede municipal já seguia, há anos, as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e do Guia Alimentar da População Brasileira, priorizando alimentos in natura ou minimamente processados no cardápio da merenda.
Segundo a Semed, a principal mudança com a nova norma é o reforço da conscientização para evitar a entrada de ultraprocessados levados de casa pelos alunos. A secretaria informou que irá intensificar o trabalho educativo junto a pais, gestores, professores e estudantes, fortalecendo práticas alimentares mais saudáveis no ambiente escolar.
A pasta também destacou que os cardápios continuam sendo elaborados por nutricionistas, de acordo com as necessidades de cada modalidade de ensino, como Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), ensino fundamental, Educação de Jovens, Adultos e Idosos (EJAI) e estudantes com necessidades especiais.
Em relação à fiscalização, a Semed informou que há acompanhamento contínuo por meio de nutricionistas nas unidades escolares e da atuação do Conselho de Alimentação Escolar, em parceria com a Coordenação Técnica de Nutrição e Segurança Alimentar da secretaria.
Já a Secretaria de Estado da Educação (Seduc) esclareceu que a resolução que proíbe a venda de ultraprocessados não partiu da pasta, mas do Conselho de Alimentação Escolar, cabendo à Seduc orientar e acompanhar o cumprimento da norma. A secretaria ressaltou ainda que os ultraprocessados já haviam sido retirados da merenda da rede estadual antes mesmo da resolução, diferenciando a alimentação oferecida aos alunos dos produtos comercializados nas cantinas.
PESQUISA
A pesquisadora Bárbara Galdino conduz um estudo desenvolvido em instituições como a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e a Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) onde analisa os efeitos do consumo de alimentos ultraprocessados sobre o comportamento alimentar humano.
O material identificou que refeições compostas por ultraprocessados são consumidas mais rapidamente e promovem menor redução da capacidade de comer novamente, quando comparadas a refeições similares feitas com alimentos in natura ou minimamente processados. Os resultados foram observados mesmo quando as refeições foram pareadas quanto à densidade energética, fibras e macronutrientes, indicando que o efeito está relacionado ao grau de processamento dos alimentos.
A pesquisa também demonstrou que esses produtos exigem menor número de mastigações e mordidas, reduzindo o tempo necessário para que os sinais fisiológicos de saciedade sejam ativados. Como consequência, o consumo tende a ser maior antes que o organismo reconheça a sensação de plenitude.
De acordo com a pesquisadora, esse padrão ajuda a compreender por que esses alimentos favorecem o consumo excessivo no cotidiano, especialmente em ambientes marcados por refeições rápidas, consumo distraído e alta disponibilidade de produtos industrializados.
Para a gestão municipal, a alimentação saudável traz benefícios não apenas para os estudantes, mas também para as famílias, uma vez que a educação alimentar precisa alcançar toda a comunidade escolar. A orientação é que hábitos mais saudáveis sejam estimulados tanto dentro quanto fora das escolas, alinhando ações pedagógicas às evidências científicas sobre os impactos dos ultraprocessados na saúde.
