Cidades
Invasores desocupam fazenda em Uni�o
União dos Palmares - De um lado, 200 policiais militares, a cavalaria, bombas de efeito moral, gás lacrimogênio e munições químicas. Do outro, cerca de 70 famílias coordenadas pela Liga dos Camponeses Pobres (LCP) que reivindicam uma casa para morar. Entre os dois grupos, um mandado de reintegração de posse da Fazenda Salinas, em União dos Palmares, assinado pelo juiz da Vara Agrária, Ayrton Tenório. De prontidão na sede do 2º Batalhão, dentro da cidade, a tropa aguardava a ordem para agir, enquanto o Centro de Gerenciamento de Crises da Polícia Militar (PM) tentava convencer as famílias a deixarem o local pacificamente. A ordem do juiz era clara. A fazenda precisava ser desocupada ainda ontem, mesmo que fosse preciso o uso da força. A negociação iniciada às 8h, durou toda a manhã, teve muitas idas e vindas e se estendeu até as 14h. ### Operação deixou várias cidades sem efetivo policial União dos Palmares ? A operação de guerra montada pela polícia para garantir o cumprimento do mandado de reintegração de posse da Fazenda Salinas comprometeu o policiamento ostensivo em várias cidades do interior. O problema do efetivo reduzido se complicou ainda mais com outro bloqueio na rodovia BR-104, realizado por trabalhadores da Usina Utinga Leão, no município de Messias. Durante a negociação com os sem-teto em União dos Palmares, o coronel José Praxedes recebia telefonemas de guarnições solicitando o retorno dos militares para os municípios de origem. Equipes extras foram deslocadas para Messias e a Companhia Independente de Joaquim Gomes precisava de reforço para resolver chamados de emergência na área. ### Sem-teto ainda lutam pela posse de área Mesmo aceitando o despejo para não sofrer com o uso da força policial, os sem-teto vão continuar reivindicando a área. ?Essa rodovia AL-205 vem de Santana do Mundaú, passa por aqui e segue até Joaquim Gomes, é estadual e nós podemos ocupar a faixa de terra até quinze metros do centro da pista?, afirma o integrante da Liga dos Camponeses Pobres (LCP), Edmilson Miguel. Na audiência de terça-feira, na Vara Agrária, a entidade vai tentar convencer o juiz a voltar ao local. Apesar de haver apenas cerca de 70 famílias no momento da desocupação, a LCP afirma que mais de 230 famíllias estão engajadas na mobilização para reivindicar casas no município de União dos Palmares. ?Este pessoal não é sem-terra, não quer terra para plantar, quer casa para morar?, explica o coordenador da LCP, Tarcísio Barbosa. ///