Cidades
Bancos ter�o que aplicar recursos na poupan�a
THEODOMIRO JR. Construtores de diversos Estados reunidos em Maceió anunciaram que o Conselho Monetário Nacional (CMN) deverá exigir, ainda este ano, a aplicação dos R$ 15 bilhões que deveriam estar depositados na poupança e que há muitos anos vêm sendo transferidos para o mercado financeiro pelos bancos privados. Trata-se de um dinheiro que deveria estar financiando habitações e obras de saneamento e que vinha gerando lucros apenas aos bancos. Segundo os presidentes da Ademi-AL, Ronald Vasco Júnior (representando as empresas do mercado imobiliário), e do Sinduscon-AL, José Nogueira (falando em nome do sindicato das construtoras), o problema teve início no acordo firmado entre o Banco Central e os bancos privados durante a implantação do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer) em 1995. Para José Nogueira, tal situação teve o consentimento e estímulo do Banco Central, que permitiu o descumprimento da lei durante todos esses anos, chegando mesmo a justificar o redirecionamento desses R$ 15 bilhões. A proposta dos bancos para o retorno do dinheiro à poupança é que não agradou. Serão 100 parcelas nos próximos anos. O empresário Ronald Vasco Jr. discorda da proposta e quer que a transferência seja feita em menos tempo. ?Vamos propor à Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) que reveja essa posição?. Ronald Vasco vai além ao afirmar que o assunto não é de interesse apenas dos construtores, que buscam aumentar e ampliar o financiamento de imóveis. É uma questão que diz respeito aos trabalhadores, aos gestores da saúde pública, aos prefeitos, aos responsáveis pelo saneamento das cidades, à sociedade em geral. ?A aplicação desses R$ 15 bilhões na poupança, sendo destinados para habitação e saneamento, ajudará a criar novos postos de trabalho na construção civil, saneará cidades e permitirá que pessoas com menor renda possam adquirir imóveis. Tudo isso refletirá na saúde das pessoas; no turismo, pela diminuição da poluição; na urbanização das cidades, na educação...?, enfatizou. Mas tanto Ronald Vasco como José Nogueira fazem um alerta. O dinheiro captado, via poupança, em determinada cidade deve ser investido naquele local e não ser transferido para os grandes centros, como vinha ocorrendo. A Federação que reúne os bancos alega que acordos com o BC autorizaram a relocação de recursos da poupança.