Cidades
Estado conta 238 crimes contra crian�as
Dados da Diretoria de Estatística e Informática da Delegacia-Geral da Polícia Civil de Alagoas mostram que nos quatro primeiros meses deste ano foram registradas 238 ocorrências de crimes contra crianças e adolescentes, incluindo ameaças, maus-tratos, crimes sexuais e contra a integridade física. O volume já representa 40% do número total de ocorrências registradas em todo o ano de 2008, que fechou em 594 casos notificados. Esses dados não incluem acidentes violentos ? como o sofrido pela menina Alana Gabriela, 5 anos, atingida, junto com a mãe, por uma descarga elétrica de alta tensão, provocada pela queda de um poste. Também não contempla o caso da pequena Laila Ketle, de três meses, que, no último dia 11 teve a boca e os olhos colados com super bonder, sendo abandonada em terreno baldio por uma adolescente rival de sua mãe, também adolescente. ### Diana sofre sem receber assistência psicológica Na UTI infantil do Hospital Geral do Estado, a garotinha Alana Pitombeira luta, entre a vida e a morte. Ela e a mãe, a agente penitenciária Dulcineide Pitombeira, foram atingidas por uma descarga elétricas de alta-tensão, quando um poste desabou, num trecho da Avenida Jatiúca, onde a mãe vendia churrasquinho. Dulcineide morreu dias depois. A pequena teve membros amputados e seu estado de saúde ainda é considerado muito grave. No hospital, ela tenta se recuperar das feridas físicas e, se sobreviver, certamente vai precisar de ajuda psicológica. Os estragos psicológicos também atingiram em cheio a irmã de Dulcineide, Diana Pitombeira, que continua em estado de choque, dormindo mau e se alimentando pouco. ### Mãe cujo filho foi arrastado ainda sofre Nos braços da mãe, o pequeno Gabriel, que completou quatro meses de vida na última quinta-feira, olha ao redor com alegria, dá o ar da sua graça e depois se aconchega no colo e adormece tranquilamente. Aparentemente, nada atrapalha a sua serenidade infantil: nenhuma lembrança, nenhum medo, nenhum trauma. É o mesmo Gabriel que há menos de um mês protagonizou o maior drama já vivido por sua família, ao ser arrastado por algumas ruas da Ponta Verde, preso pelo lado de fora ao carro da sua mãe. O veículo foi tomado por assaltantes na porta do edifício Caviúna, onde mora a vovó Lúcia Jobim. ### ?Curam-se apenas as feridas físicas? A experiência precoce com situações traumáticas, que muitas vezes geram sequelas físicas, pode deixar, ou não, cicatrizes psicológicas que podem se transformar em novas feridas na idade adulta. Isso, depende do tratamento ? profissional ou familiar ? dado ao trauma vivido, segundo explica o psicanalista e professor de Psicologia da Universidade Federal de Algoas, Charles Lang. Segundo ele, em alguns casos, quando a criança ou o bebê não tem maturidade suficiente para perceber a dimensão da situação vivida; do perigo a que foi exposto, o trauma pode terminar quando alivia a dor física. Na sua avaliação, a influência do trauma vivido na primeira infância, em outras fases mais amadurecidas da vida, vai depender da forma como a família vai lidar com isso. ///