Cidades
Burocracia emperra com�rcio de gado
Arapiraca ? O anúncio da saída de Alagoas da zona de risco desconhecido em relação à febre aftosa desencadeou uma onda de otimismo entre pecuaristas e comerciantes de gado. A possibilidade de incremento de negócios com Estados nordestinos, principalmente Pernambuco, criou uma expectativa ainda frustrada pela burocracia. Passados mais de trinta dias da divulgação da boa notícia, as vendas para o território vizinho emperrou na redação de uma portaria estadual, documento que para ser publicado necessita do crivo do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). O entrave foi revelado pelo diretor-presidente da Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária de Alagoas (Adeal), Hibernon Cavalcante. ### Negócio ainda é morno na feira de Dois Riachos Dois Riachos ? O impacto negativo provocado pelo entrave burocrático da venda de animais de Alagoas para outros Estados fica claro na mais tradicional feira de gado do interior. Localizada no Sertão, Dois Riachos é ponto de encontro entre comerciantes locais e de municípios vizinhos. O volume de negócios continua abaixo da média registrada antes do início da fiscalização sanitária, medida imposta pela legislação federal. A chegada do inverno é outro fator a ser considerado. Pecuaristas mantém o gado no pasto, à espera de melhor preço com a engorda do rebanho. A entrada e saída de animais da feira sertaneja é controlada por dois setores. Um deles é o posto de arrecadação da prefeitura, responsável pela administração do espaço carente de melhor estrutura, que cobra R$ 2 por cabeça comercializada no curral. ### Sem vendas, boi retorna ao pasto Dois Riachos ? Pedro Alcântara Rodrigues mora em Olho d?Água das Flores e negocia gado em Dois Riachos há mais de 20 anos. Na feira de 13 de maio, ele levou apenas treze animais para vender e ainda voltou com três para casa. O comerciante dizia que o dinheiro arrecadado dava para pagar somente as despesas. ?Esse aí reclama sempre, nunca está satisfeito?, comentou um amigo. Brincadeiras à parte, Pedro repetia o que a reportagem já havia escutado de outros comerciantes: o negócio na feira já foi melhor. ?Eu só consegui pegar R$ 70 por arroba (medida de peso equivalente a 15 kg), vai dar para pagar o frete?, dizia Pedro Alcântara quando foi interrompido.?Essa feira já foi melhor, agora está uma porcaria. Antes, eu trazia 20, 30 animais e vendia tudinho, não voltava nenhum, o negócio caiu muito?, disse, completando com uma declaração de esperança. ### Comerciante de gado resiste em Alagoas Dois Riachos ? Não adianta procurar por José Pedro Silvestre em feiras de gado. Ninguém conhece o nome de batismo do Zé Porquinha, 55 anos, desde criança envolvido com o comércio de animais. Natural de São Caetano, Agreste de Pernambuco, ele reside atualmente em Caruaru e duas vezes por semana viaja para Alagoas para vender e comprar animais. ?Segunda-feira eu vou para Canafístula do Cipriano, em Palmeira dos Índios, e na quarta, venho para Dois Riachos. Nos outros dias da semana, eu negocio lá em Pernambuco mesmo, mas estou ficando cansado. Sábado e domingo agora é só pra olhar as terras que tenho por lá?, disse o negociante que garante ser conhecido do Maranhão à Bahia. ### Feira tem que mudar de local Dois Riachos ? A promissora retomada do comércio de gado em Dois Riachos poderá acontecer em novo cenário. Cercado de irregularidades, o atual curral da feira mais tradicional do interior alagoano está com os dias contados. Sua desativação é apontada como uma das medidas para que Alagoas cumpra metas para atingir o status de zona livre de aftosa, situação almejada tanto pelo governo estadual, como por criadores de animais de raça e negociantes de gado comum. ///