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Alagoas � campe�o em evas�o escolar

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Marcado como um ferro em brasa no lombo de um boi, o estigma de ser o Estado com o maior índice de analfabetos do País deve demorar a cicatrizar. Além do vexame de ter uma taxa de 41% da população acima de quinze anos com essa limitação (incluindo os analfabetos funcionais), Alagoas também ocupa o 1º lugar no ranking de desistência dos alunos da Educação de Jovens e Adultos (EJA). A única chance de se livrar do título nada honroso de campeão de analfabetismo se esvai com a debandada desses alunos que estão fora da idade escolar. O suplemento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), divulgado este mês pelo IBGE, aponta que apenas 3,8% dos alagoanos com quinze anos ou mais já frequentaram a EJA, o que equivale a cerca de 82 mil pessoas. O acesso reduzido se complica com a evasão de 55,3% de alunos que deixaram as aulas. ### Excesso de regras afasta aluno das aulas Os excessos com regras e exigências que poderiam ser dispensadas afastam adultos e jovens das salas de aula. Alunos que precisam de estímulo para voltar aos estudos são barrados em escolas por não ter uma roupa ?adequada?, um documento de identidade ou por não conseguir chegar no horário exato das aulas. O problema é apontado pelo fundador da ONG Mulungu, Allan Almeida, como um dos principais fatores que contribui para a evasão da EJA em Alagoas. A ONG já realizou cursos de EJA nas suas instalações, atua para inserir os alunos nas escolas especializadas e integra o Fórum Estadual de Educação de Jovens e Adultos. O índice de desistência no curso era quase zero porque a entidade aceitava os alunos sem restrições e os professores procuravam interagir com o conhecimento de mundo trazido por eles. ### 30% de alunos já abandonaram EJA Cerca de 30% dos alunos da única escola exclusiva de EJA em Maceió já abandonaram os cursos iniciados em fevereiro deste ano. O principal motivo para o desânimo é a falta de professores. Quase quatro meses após o começo do ano letivo, muitos ainda não tiveram sequer uma aula de Matemática, Português, Física, Inglês ou Educação Física. Mantido pelo Estado, o Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja) Paulo Freire, localizado na rua do Sol, Centro, tem 1.100 alunos matriculados nos três turnos, mas as salas de aula vazias demonstram as deficiências da metodologia adotada. ?Temos uma média de trinta professores, incluindo monitores, mas precisamos de pelo menos quarenta?, admite a diretora adjunta do Ceja, Rita Tenório. ### Incompatibilidade de horário atrapalha O principal motivo apontado para a desistência dos estudantes foi a incompatibilidade do horário das aulas com o trabalho ou o tempo dedicado a procurar emprego (27,9%). A segunda maior causa revelada pelo IBGE foi a falta de interesse despertada pelo curso (15,6%). Uma das colegas de Arnaldo é a dona-de-casa Sâmia Velames, 26 anos, que se desdobra para conseguir concluir os estudos por causa da meta de conseguir um emprego digno ou fazer a faculdade de Fisioterapia. ?Hoje a gente vai ficar no colégio o dia inteiro só para assistir a aula de artes?, afirma Sâmia, sem esconder a frustração. ?Eu me sinto muito mal e tem dia que é pior, gasto o dinheiro da passagem, chego aqui e não tem aula?. ### Para pesquisadores, evasão está ligada a fatores sociais A pedagoga também destaca os cuidados que se deve ter com os livros didáticos adotados. ?Alguns tendem para a infantilização e outra coisa que influencia bastante para a evasão dos adultos e jovens é tratá-los como crianças?. Marinaide lembra que as compras por licitação são importantes, mas é preciso discernir o conteúdo, não dá para escolher apenas pelo preço mais baixo. Os pesquisadores da área ressaltam que a evasão dos alunos não se deve apenas a fatores pedagógicos, mas está vinculada a aspectos sociais, culturais e econômicos. ?A educação não pode vir sozinha, deve estar acompanhada de outras políticas públicas, como emprego, geração de renda, saúde e outras. Entre estudar e garantir a renda da família, o aluno não tem dúvida. Naquela época de Maceió Fest, as salas ficavam vazias e eles pediam para não levar falta porque precisavam vender?, detalha Marinaide. ///

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