Cidades
Hospitais despejam res�duos no lix�o
Alagoas é o segundo Estado do Nordeste que menos produz Resíduos de Serviço de Saúde (RSS) ? o lixo hospitalar. Mesmo assim, das 13,38 toneladas geradas por dia, apenas 2,5 são tratadas devidamente. E para onde vai o montante que resta desta conta? Representantes da Vigilância Sanitária Municipal e do Instituto do Meio Ambiente de Alagoas (IMAAL) ? órgãos responsáveis pela fiscalização deste lixo ?, respondem à pergunta. Eles apontam o mesmo destino: para o dia-a-dia dos catadores de lixo que povoam os lixões espalhados pelo Estado. A Serquip, uma das principais empresas que é responsável pela pequena quantidade de lixo tratado, também conhece muito bem essa realidade. A ação inapropriada, explicam os órgãos reguladores, é provocada, principalmente, pelo descaso das unidades geradoras desse lixo, ou seja, hospitais, farmácias, postos de saúde, clínicas veterinárias, clínicas odontológicas e necrotérios. ### Catadores afirmam que descarte é feito quase todos os dias Os pés que percorrem um ambiente tomado por lixo, também são vítimas de outro inimigo: as agulhas das seringas. Os catadores de lixo da Vila Emater, conhecida como Favela do Lixão, localizado em Cruz das Almas, estão cansados de presenciar caminhões clandestinos despejarem quase todos os dias no local, material caracterizado como lixo hospitalar. O objeto mais comum encontrado por eles são as seringas. ?Semana passada, um caminhão despejou dois botijões cheios de seringas. Quase todos os trabalhadores aqui já foram picados. Uma delas furou a minha bota e entrou no meu pé, que inchou e doeu muito. Fui ao pronto-socorro três vezes e eles me deram uma injeção não sei para quê?, relata a catadora Célia Maria dos Santos. Grávida de alguns meses ? ela ainda não sabe quantos ?, a trabalhadora teme que seus outros doze filhos que vivem na comunidade também sejam picados. ### Restos do IML são despejados no lixão O ambiente da moradia e trabalho dos catadores do Lixão de Maceió deve receber também todo o lixo hospitalar produzido no Instituto Médico Legal Estácio de Lima (IML). É o que acredita o diretor Kleber Santana, afirmando que os resíduos gerados no local nunca foram tratados e enviados ao destino correto. ?As roupas, luvas, máscaras, todo o aparato que os funcionários daqui usam deve ir para o lixão?, diz. O diretor explica que desde dezembro de 2007, solicita ao governo Estadual, dinheiro para fechar um contrato com uma empresa especializada em tratamento de resíduos de saúde. ?Já enviei quatro solicitações e nunca recebi nenhuma resposta. A solução é misturar tudo mesmo para a empresa de lixo comum coletar?, ele diz. ### Apenas um hospital gerencia o lixo Está na lei, através da norma federal - RDC nº 306, designada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama), de 7 de dezembro de 2004, que as unidades geradoras são as responsáveis por toda a segregação, coleta interna, pré-tratamento, o transporte e, principalmente, o destino final de bolsas de sangue, seringas, agulhas, resto de medicamentos e curativos, material radioativo, lâminas de bisturis e outros exemplos de lixo que possui um potencial altamente infeccioso. Através da norma federal, também foi criado o Programa de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (PGRSS). A lei relata que todas as unidades de saúde deveriam elaborar e pôr em prática o Programa, no prazo máximo de 180 dias contando da data de criação. Passaram-se quase cinco anos e em Alagoas, de acordo com a Vigilância Sanitária, apenas a Santa Casa de Misericórdia de Maceió cumpre a norma estabelecida. ### Empresa incinera 1,5 tonelada por dia O ambiente é fechado, com cartazes que alertam perigo, onde homens monitoram toda a movimentação interna, através de câmeras de vídeo, e funcionários entram protegidos com máscaras, luvas e roupa especial. O cenário é da empresa Serquip, responsável pela incineração de 1,5 toneladas ao dia de resíduos de saúde do Estado. O diretor Antônio Tarcísio da Silva desconfia que a empresa coleta apenas 13% do lixo das unidades de saúde que utilizam a Serquip como destino final para seus resíduos. Ele afirma isso, utilizando como base o volume de lixo coletado na Santa Casa de Misericórdia de Maceió. ?Existe um controle diferenciado neste hospital. O material que a gente recebe de lá é bem diferente daquele do Hospital Geral, por exemplo. Todos os nossos clientes apresentam um volume bem inferior ao da Santa Casa?, explica Tarcísio. ///