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Dez anos depois, festa para casa pr�pria

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O sorriso estampado no rosto é a demonstração nítida da alegria vivida por centenas de famílias que saíram, duas semanas atrás, de situação de miserabilidade para morar com dignidade num imóvel de alvenaria. Após mais de uma década de espera, os moradores da Cidade de Lona finalmente receberam a tão sonhada casa própria. A transferência para o conjunto Cidade Sorriso 1, construído na área do bairro Benedito Bentes pela Prefeitura de Maceió, começou dia 25 de maio, quando as 100 primeiras famílias receberam suas residências. O secretário municipal de Habitação, Nilton Pereira Nascimento, acompanhou o trabalho de remoção e entrega das chaves aos beneficiados. Em duas semanas foram removidas 500 famílias, todas cadastradas há mais de cinco anos. Ainda há barracos na Cidade de Lona, mas a situação daquelas pessoas, afirma Nascimento, deve ser resolvida pelo governo estadual. ### Casas construídas com subsídio federal São naturais as manifestações de alegria de cada um que recebeu a casa construída pela prefeitura municipal com recursos do Programa de Subsídio à Habitação (PSH), do Ministério das Cidades. Afinal, as condições de vida na favela são absolutamente desumanas. ?A gente tá rico (sic)?, diz, com indisfarçável alegria a dona-de-casa Célia Maria da Silva, 32, que chegou ao Conjunto Cidade Sorriso na primeira semana da remoção. Junto com o marido e os dois filhos menores ela passou dois anos na favela. Mas diz que nunca perdeu a esperança de conseguir uma moradia decente. O relato de Célia sobre a emoção de ter uma casa é semelhante ao de Joseane da Silva, 23, sua vizinha, bem como de todas as demais famílias maceioenses que esta semana viram um direito constitucional transformar-se em realidade. ### Crianças sem linha de ônibus para se deslocar à escola Caminhões de mudança fizeram um vai-e-vem durante vários dias, nas duas últimas semanas, trazendo os poucos móveis e eletrodomésticos das famílias da quase extinta Cidade de Lona. Ter conquistado esse direito deixou um brilho no olhar da estudante Marília Tenório Barbosa, 20, que agora só tem uma preocupação: o transporte para ir à escola. Ela mudou-se para o Conjunto Cidade Sorriso junto com a mãe, o padrasto e oito irmãos. O espaço é pequeno para tanta gente, admite a jovem, mas as condições de vida, ressalta, são totalmente melhores que a situação em que viviam na favela. ?Aqui a gente vai viver melhor, com certeza?, declara Marília, fazendo um apelo. ### Remoção de quem vive à beira da lagoa O secretário municipal de Habitação, Nilton Pereira Nascimento, disse que a remoção das famílias da Cidade de Lona foi concluída. Agora a prefeitura inicia o planejamento para transferir as famílias que vivem na orla lagunar. São famílias das favelas Sururu de Capote e Torre. Serão beneficiadas também moradores de áreas de risco que já estavam inseridos no programa de moradia popular do município. ?Vamos adotar o mesmo procedimento da remoção da Cidade de Lona, que apresentou bom resultado. Tudo aconteceu de forma tranquila, sem aperreio?, disse ele. Além de contratar caminhões de mudança e garantir o transporte para as pessoas, a Secretaria de Habitação mobilizou várias equipes técnicas, que trabalharam sob a orientação de assistentes sociais da Secretaria Municipal de Assistência Social (Semas). ### ?Cidade de Lona? ainda abriga barracos Um símbolo da inaceitável violação do direito à moradia, a Cidade de Lona, um assentamento formado por uma população totalmente excluída, em Maceió, praticamente deixou de existir. Ali restam uns poucos barracos que serão desmontados em breve. O que será feito da área, que durante 14 anos envergonhou a sociedade e apavorou os moradores dos conjuntos habitacionais regulares em seu entorno, é decisão do governo do Estado. Ex-favelados, os novos cidadãos, agora instalados em habitações com condições mínimas de conforto, lutaram muito para chegar a esse momento. Organizadas pelo Movimento União por Moradia, diversas vezes aquelas famílias participaram de manifestações de rua, fecharam vias de trânsito, ocuparam prédios públicos, até realizarem o sonho da casa própria. ///

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