Cidades
Grupos juninos garantem brilho e alegria ao S�o Jo�o
O forró pé-de-serra se mantém como uma tradição da nossa cultura, mas é inegável que, a cada ano, novos estilos musicais conquistam adeptos no São João de Alagoas. Assim é, também, com a tradicional quadrilha junina, antes identificada como pequenos grupos vestidos à moda matuta que dançam embalados pelo forró. Víamos os homens com camisa quadriculada, calça remendada com panos coloridos e chapéu de palha, e as mulheres com vestido de chita, trança no cabelo e chapéu de palha. Os tempos mudaram, e assim como hoje temos o forró eletrônico, a quadrilha estilizou-se para se transformar num grande espetáculo. Embora haja quem discorde, insistindo na visão matuta, a voz mais alta é dos que encaram a transformação das quadrilhas como razão que mantém viva uma manifestação popular que poderia ter sucumbido não fossem a vontade, o entusiasmo e a coragem daqueles que vivem intensamente essa tradição nordestina. ### Enredos dão o tom da festa nos arraiás A exemplo das escolas de samba, as quadrilhas escolhem um tema, espécie de enredo, para evoluir nos salões. A Luar do Sertão, por exemplo, uma das mais destacadas de Maceió, apresenta o tema ?Uma noite de luar na terra do sol nascente?, em que homenageia os 100 anos da imigração japonesa no Brasil. ?Todos os anos cada grupo escolhe um assunto para trabalhar. Mantemos os movimentos obrigatórios e seguimos com outras coreografias que fazem referência ao tema escolhido? ? diz José Cláudio Menezes, tesoureiro da Liga das Quadrilhas Juninas de Alagoas, e presidente da Luar. ### Preparativos começam com um ano de antecedência O exemplo de José Cláudio Menezes serve para mostrar com precisão o sentimento que move um dançarino de quadrilha junina. ?É uma paixão, como a que se tem por um time de futebol? ? afirma ele, fazendo um comparativo entre as quadrilhas no Nordeste e as escolas de samba no Rio de Janeiro. Aliás, o trabalho de organização dos grupos traz cada vez mais semelhanças com o carnaval naquele Estado. Há uma estrutura que começa a ser montada logo depois da última apresentação, quando os dirigentes das quadrilhas já começam a pensar na apresentação do ano seguinte. ?A disputa é concorrida, todo mundo quer ganhar os concursos? ? revela Cláudio Menezes. ### Quadrilhas querem título de campeã do circuito As quadrilhas alagoanas se apresentam desde o último dia 9. São apresentações em locais para os quais foram contratadas, como empresas que antecedem o grande momento, quando se apresentarão para disputar o título de campeã do circuito alagoano de quadrilha junina de 2009. As apresentações começam para essa disputa começam nesta segunda-feira, 15, no Sesc/Poço, prosseguindo até o dia 18. De 19 a 22 as apresentações serão em Jaraguá e no Instituto Galba Novaes, no Tabuleiro. ### Liga cobra maior apoio do poder público para a festa Convicto de que a população curte com intensidade o período junino, Cláudio Menezes reclama maior apoio do poder público tanto municipal, no caso de Maceió, quanto estadual. ?A gente é menos valorizado que as escolas de samba, mesmo sendo em número maior? ? afirma o tesoureiro da Liga. Cláudio lembra que 39 grupos se esforçam para manter viva a tradição junina, mas recebe limitado apoio tanto da Prefeitura de Maceió, no caso das quadrilhas da capital, quanto do governo do Estado. ?Não estou sendo mal-agradecido, afinal recebemos ajuda da prefeitura, mas entendo que o São João, que é uma festa tipicamente nossa e onde o povo participa, ao contrário do carnaval, quando a cidade fica vazia, merecia mais apoio? ? argumenta Cláudio Menezes. ### Festejos juninos preservam tradições | PATRÍCIA BASTOS - Repórter Arapiraca ? Enquanto na maioria dos municípios os festejos juninos acontecem em grandes eventos públicos, em Arapiraca a comemoração ainda é em torno da fogueira, principalmente nos dias de São João e São Pedro, ou nos arraiais montados em vários bairros e povoados da cidade, que mantém a tradição dos folguedos e comidas típicas desse período do ano. Há mais de um mês que na Rua Miguel Leite, bairro Brasília, que não se falava em outra coisa. O Arraiá Brasília é Nosso, é brasileiro, que aconteceu no feriado de Corpus Christi, teve um pouco de cada morador que ajudou na preparação, como afirma o presidente da Associação dos Moradores do Bairro Brasília, Francisco das Chagas Lacerda, que pelo sexto ano consecutivo comandou a organização da festa. ### Povoado monta vila cenográfica Apesar de participar da competição de arraiais pela primeira vez, o Povoado Cajarana preparou várias atrações para o Aracajana, que aconteceu na noite de sexta-feira. Além da tradicional quadrilha, foi montada uma vila cenográfica com direito a uma casa de farinha e barracos de taipa, que serviram para a representação de músicas sobre Lampião e Maria Bonita, além de lugar para uma costureira e até para uma rezadeira de verdade. ?Se na hora da festa aparecer alguém precisando de reza, vou estar aqui esperando. Com a graça de Deus vai dar tudo certo nesse arraial, e se todo mundo tiver fé, a gente vence. Estou rezando para isso?, afirma a dona Josefa Maria da Conceição. ### Historiador critica estilização da dança Arapiraca ? Para o historiador e artista plástico Zezito Guedes, homenageado pela Prefeitura de Arapiraca durante os festejos juninos, nem tudo é motivo de comemoração. Para o professor, ferrenho defensor da cultura popular, a modernização dos folguedos deturpa a cultura junina. ?Alguns fatos folclóricos estão se transformando muito, enquanto outros permanecem conservadores. Hoje, 90% das quadrilhas são estilizadas, perdendo a autenticidade que tinham no passado. Foram colocados muitos passos atuais, além de trajes à rigor, muito diferente das roupas matutas. Para mim, essa é uma evolução negativa, eles estão mais para passistas ou bailarinos do que para uma quadrilha junina?, declarou. ///