INCIDÊNCIA
Instituto estima 350 novos casos de câncer do colo do útero em Alagoas neste ano
Regiões Norte e Nordeste apresentam as maiores taxas de incidência, segundo o Inca


Um levantamento do Instituto Nacional do Câncer (Inca), da Estimativa 2026 da Incidência de Câncer no Brasil, aponta a previsão de 350 novos casos de câncer do colo do útero em Alagoas. Esse tipo ocupa a quarta posição em incidência prevista no estado para este ano, ficando atrás do câncer de mama (880 casos), da próstata (880) e do cólon e reto (370).
A campanha Março Lilás alerta para os desafios e reforça a prevenção da doença no estado. Segundo a estimativa do Inca, do total de novos casos previstos em Alagoas, 130 diagnósticos devem ocorrer na capital.
“É muito importante esse Março Lilás de conscientização, porque ele se baseia em três pilares bem significativos: a prevenção por meio da vacina contra o HPV, a detecção precoce por meio de exames como a citologia e a oferta de tratamento assim que as lesões forem diagnosticadas”, explica a médica ginecologista Patrícia França.
Segundo a especialista, pesquisas apontam que 80% das mulheres podem ter contato com o vírus HPV, principal causador do câncer do colo do útero. “O início da vida sexual muito precoce, a multiplicidade de parceiros, a falta do uso de preservativo, a ausência de vacinação e o tabagismo, que está implicado na maioria dos cânceres, são fatores evitáveis”, afirma, ao citar os principais fatores de risco para o câncer do colo do útero.
No Brasil, o Inca prevê o surgimento de 19.310 novos casos de câncer do colo do útero. Em nível nacional, esse tipo ocupa a sexta posição em incidência da doença. Ele é o segundo mais incidente nas regiões Norte (22,79 casos por 100 mil mulheres) e Nordeste (20,76 casos por 100 mil mulheres).
O câncer do colo do útero é considerado altamente evitável e apresenta evolução lenta, o que torna o rastreamento uma ferramenta decisiva para a detecção de lesões precursoras.
A vacinação contra o HPV, vírus responsável pela maioria dos casos, é uma estratégia essencial de prevenção, mas ainda é prejudicada pela baixa adesão ao exame preventivo, pela desinformação e pelas dificuldades de acesso aos serviços de saúde.
Uma das frentes em que o Ministério da Saúde (MS) tem atuado para fortalecer o controle da doença é a mudança no rastreamento do câncer do colo do útero, com a adoção do teste de DNA-HPV em substituição gradual ao exame citopatológico (Papanicolau).
