LEVANTAMENTOS
Arapiraca ganha primeira estação sismológica para monitorar tremores
Estudos analisam relação entre abalos no Agreste e a exploração de cobre iniciada em Craíbas


Arapiraca recebeu sua primeira estação sismológica, adquirida no dia 1º deste mês. A análise dos dados coletados quer compreender até onde vai a relação entre tremores de terra registrados no Agreste e a exploração de cobre na região.

Estudos iniciados em 2023 já apontavam a necessidade de um monitoramento preciso e contínuo após registros de tremores em Arapiraca, Craíbas e Feira Grande.
Pesquisas realizadas pela Universidade Estadual de Alagoas (Uneal) estudam uma possível relação entre a atividade de extração da mineradora Vale Verde e os relatos de moradores da zona rural acerca de danos estruturais em suas residências.
A mineradora iniciou as extrações de cobre no Projeto Serrote, em Craíbas, em junho de 2021.
“A gente conseguiu, a partir desse contato com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a informação de que não havia nenhum sismo na região de Arapiraca até 2021. A principal motivação foi essa [...] porque não havia notícias de tremores na cidade de Arapiraca antes desse período”, revela o professor Inaldo Valões.
A estação sismológica, com monitoramento permanente de tremores de terra na região, chegou a Arapiraca em parceria com o Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e a Uneal e está instalada no Polo Tecnológico Agroalimentar de Arapiraca.
Com a nova estação, poderão ser feitas análises técnicas detalhadas sobre magnitude, profundidade e localização dos abalos.
“Ele tem um sensor que se conecta ao chão e recebe as ações, os tremores. Ele envia para um banco de dados, compartilhado com a UFRN, e lá fazemos as análises e transformamos esse dado bruto em uma informação mais completa, com análise já feita, que mede o sismo, a intensidade, o local, tudo isso a partir do que é captado pelo aparelho”, explica o professor.
Esses dados servirão, inclusive, para o poder público elaborar planos de ação preventiva e planejamento territorial.
“Ele vai dar dimensões mais precisas sobre a atividade sísmica na região, que pode afetar de várias formas. Temos uma discussão sobre a questão de Arapiraca, que é uma cidade que tende a se verticalizar, construir prédios, e precisamos entender se há algum risco para isso”, diz o professor.
