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Chuvas danificaram patrimônio histórico tombado em Piranhas

Temporal comprometeu a estrutura da escadaria de acesso à Igreja do Bonfim e trechos da pavimentação original

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Chuvas danificaram patrimônio histórico tombado em Piranhas

Áreas afetadas pelas chuvas são protegidas pelo patrimônio histórico nacional desde 2004
Chuvas danificaram patrimônio histórico tombado em Piranhas Áreas afetadas pelas chuvas são protegidas pelo patrimônio histórico nacional desde 2004 | Foto: Thiago Sampaio/ Agência Alagoas

As fortes chuvas que atingiram a cidade de Piranhas, no Sertão de Alagoas, no final de fevereiro, comprometeram a estrutura da escadaria de acesso à Igreja do Bonfim, trechos da pavimentação original e cabeceiras de pontes do centro tombado. O levantamento foi feito pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e aponta ainda avarias em imóveis atingidos pelo escoamento e danos na própria sede do órgão federal.

Rute Barbosa, chefe do Escritório Técnico do Iphan em Piranhas, detalhou à Gazeta que a área é protegida pelo patrimônio histórico nacional desde 2004 e abrange o centro histórico, o distrito de Entremontes e a paisagem do Rio São Francisco. Segundo ela, o tombamento preserva a “ambiência” que une o casario, os morros e a vegetação. Os danos atuais afetaram a mobilidade e a circulação interna.

A gestora afirma que, em análise preliminar, os danos são passíveis de recuperação, desde que as técnicas utilizadas sejam compatíveis com o sítio histórico. “A recuperação material dos pontos danificados é viável”, garantiu Rute, ressaltando que a escadaria do Bonfim deverá ser integralmente reconstruída. O uso de materiais originais é fundamental para preservar a leitura urbana do centro.

Entretanto, o Iphan alerta que a simples recomposição localizada não resolve a causa estrutural do problema. Os levantamentos demonstram que a inundação do centro histórico depende de uma solução de drenagem mais ampla, que já foi anunciada pelo governo do Estado. O escoamento pluvial que atinge a área tombada tem origem justamente nas encostas e nos setores mais altos do relevo urbano.

O plano de restauro deve ocorrer em duas escalas distintas. A primeira é emergencial, voltada à segurança, desobstrução de canais e escoramento de imóveis afetados. A segunda é estrutural, focada na atualização do sistema de drenagem para suportar a dinâmica hídrica local. Sem essa abordagem, o risco de novos danos em futuros temporais permanece.

Na quarta-feira (4), o Governador de Alagoas, Paulo Dantas, inaugurou o trecho da rodovia AL-225 que foi fortemente atingido pelas chuvas. Durante entrevista coletiva no município, Dantas anunciou investimento de R$ 15 milhões para reconstruir pontos da cidade.

No Sertão de Alagoas, a média de chuva anual é de 600 a 700 mm distribuídos ao longo de 12 meses. Em Piranhas, entre os dias 27 e 28, a chuva atingiu cerca de 300 mm, concentrados especialmente no centro histórico.

O plano inclui a requalificação de sete pontos: avenida José Nunes de Araújo, rua Antônio Rodrigues, rua Josélia Maria de Souza Rezende, rua José Martiniano Vasco, Rota Encantada de Piranhas e rua Alto Senhor do Bonfim.

Ainda durante a coletiva, o Governador Paulo Dantas e o prefeito Thiago Freitas anunciaram que em breve será assinado um convênio para a construção de 15 unidades habitacionais.

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