8 DE MARÇO
Mulheres: caminhos distintos de quem define com coragem o próprio destino
A Gazeta ouviu uma juíza de direito, uma freira e uma dona de casa sobre suas trajetórias de vida


A palavra é mais do que um substantivo feminino. Mulher poderia ser verbo, que na classe gramatical expressa ação, estado e até fenômeno da natureza. De tão múltipla, ela é única. E é sobre isso que a Gazeta de Alagoas vai falar: daquelas que transformam e inspiram todos os dias.
As mulheres representam 52,1% da população total de Alagoas; 54% do eleitorado; chefiam mais da metade dos domicílios alagoanos e conseguem se destacar em diversas áreas profissionais, às vezes as mais disputadas. Outras vezes, precisam ou escolhem a rotina de um lar para exercer sua força e sensibilidade. Independentemente de onde estejam, quem ousa julgar o que é melhor para uma mulher?
E neste domingo (8), quando é celebrado o Dia Internacional da Mulher, a Gazeta ouviu a juíza de direito Renata Malafaia Vianna, 47 anos; a freira Jelda Zorzo, 78 anos; e a dona de casa Rafaela da Silva Almeida, 26 anos. Mulheres com histórias muito diferentes, que nasceram e cresceram em lares distintos, mas que carregam a alegria de servir ao próximo, aprender com a vida e ser resilientes.
A juíza Renata é dona de uma história inspiradora desde quando era delegada da Polícia Civil, no Distrito Federal. Em 2012, atuava como diretora de investigação da Corregedoria-Geral da Polícia Civil e acabou perdendo o cargo depois de concluir um relatório que resultou na prisão de dois policiais acusados de extorsão e sequestro. À época, o caso foi amplamente divulgado pela imprensa.
“A melhor parte de ser mulher é, sem dúvida, a nossa inteligência emocional. Alguns até chamam de instinto feminino, porque, realmente, é algo inato às mulheres. É aquela capacidade que temos de entender algo à nossa volta ou o que se passa conosco ou com alguém, e que vai além dos fatos como nos são apresentados de forma meramente objetiva”, declara Malafaia.
“Eu poderia dizer que encontrei grandes obstáculos na minha carreira de 11 anos como delegada de polícia e de 9 anos como magistrada, mas, no meu caso específico, não seria verdade, porque fui criada por grandes mulheres e por um homem que nunca me permitiram pensar que eu não chegaria aonde um homem chegou”, afirma a magistrada.
Renata Malafaia diz que, além disso, teve sorte de ter encontrado parceiros de trabalho e chefes que valorizaram exatamente o que uma mulher poderia contribuir de melhor no exercício de cada uma dessas duas profissões. “Tive a oportunidade de conhecer mulheres excepcionais, que foram como guias na minha caminhada, mas citarei uma delas: a ex-delegada de polícia Mabel de Farias, que, sem dúvida, foi uma das maiores investigadoras de homicídio do Distrito Federal, possivelmente do Brasil”, exalta a juíza.
Renata Malafaia Vianna nasceu em Niterói (RJ), é casada há 20 anos, tem um filho de 16 anos e atua em Alagoas há quase uma década.
FORÇA E RESILIÊNCIA
Já a dona de casa Rafaela da Silva Almeida, 26 anos, aposta que a melhor parte de ser mulher é a combinação única de força, resiliência e a capacidade de equilibrar emoção com sabedoria nos momentos da vida. “Minha rotina hoje como mãe é corrida, mas eu gosto de cozinhar e de manter tudo no lugar, limpo e organizado. E também de saber que estou presente para cuidar da minha filha e da minha família. Isso é gratificante”, conta.
Mãe da pequena Sara, de 5 anos, uma menina falante, espontânea e esperta, Rafaela é casada com Samuel, 30 anos, que trabalha como garçom. A Gazeta perguntou à Rafaela quais são as mulheres mais fantásticas que já conheceu. Ela, sem hesitar, fala sobre a mãe e a tia, que são referências para ela de força e amor.
“Minha tia (Jane) é a mulher mais forte que eu conheço, que passa pelos desafios da vida sempre com força, sorridente e está sempre pensando no próximo, e a minha mãe (Rosa). Ela também foi uma guerreira. Anos atrás passou por momentos difíceis e hoje está de pé”, lembra Rafaela.
UMA MULHER DE FÉ
A freira Jelda Zorzo, 78 anos, é a única filha mulher no meio de quatro irmãos. A mãe não queria que ela entrasse para a vida religiosa, mas ela disse que foi um chamado de Deus. Então, saiu do Rio Grande do Sul, onde nasceu, e veio para o Nordeste. A irmã Jelda começou ajudando pessoas em situação de vulnerabilidade no Litoral Norte de Alagoas, depois foi para o município de Canudos, na Bahia, e lá iniciou um projeto para construção de cisternas.
“Minha família é religiosa. Católica. Tínhamos o hábito de rezar o terço todas as noites. Era diante de uma imagem do Coração de Jesus que nossos pais tinham colocado na sala. Essa espiritualidade fui bebendo como leite materno. Depois foi nascendo em mim o desejo de ser religiosa e irmã”, recorda.
Irmã Jelda conseguiu financiamentos e capacitações para a construção de cisternas antes mesmo da chegada do programa do governo federal. Depois, percorreu outros países em nome da congregação e retornou para Alagoas. Ela é da congregação Filhas do Sagrado Coração de Jesus, que desenvolve iniciativas como um centro educacional para crianças e adolescentes vulneráveis no bairro Jacintinho, em Maceió.
“Ser mulher é gratidão, desafio e missão. Os três sentimentos e atitudes estão mesclados e estão na pessoa da mulher”, define. Dentre os desafios de ser mulher, a irmã Jelda cita a realidade da sociedade e das igrejas, onde o espaço para a mulher ainda continua sendo pequeno, assim como em outras dimensões sociais.
