CERIMÔNIA
Aos 102 anos, soldado mais antigo da PM de Alagoas é homenageado pela corporação
João Neri entrou para a polícia em 1948, patrulhava a cavalo e soma 44 anos na reserva remunerada


A Polícia Militar de Alagoas tem em seus registros o soldado João Neri, de 102 anos, como o policial militar mais antigo vivo do estado.
Ele ingressou na corporação em fevereiro de 1948, dedicando 34 anos ao serviço policial militar e concentrando a maior parte desse período na área que hoje corresponde à 3ª Companhia Independente.
A corporação homenageou João Neri na quinta-feira (12), em cerimônia dedicada ao Dia do Veterano. O soldado participou do evento acompanhado de familiares.

A programação incluiu a exibição de um vídeo institucional com a participação do policial, que recebeu um certificado de agradecimento pelos serviços prestados à instituição.
João Neri ingressou na Briosa quando o planeta ainda enfrentava as consequências da Segunda Guerra Mundial. Antes de vestir a farda, o veterano trabalhava como vaqueiro em uma propriedade rural.
“Daí apareceu o convite para ser militar, e eu aceitei, já que naquela época não existia concurso público”, relembrou.
Durante os 34 anos de carreira, João Neri serviu em Atalaia, Boca da Mata, Capela e no povoado Santa Efigênia. O modelo de policiamento daquela época diferia substancialmente do atual. A delegacia e o batalhão funcionavam no mesmo espaço físico, e as atribuições também se misturavam.
“A gente fazia o patrulhamento a cavalo, já que era uma região com muitas fazendas e vegetação; inclusive, o batalhão ficava em um local onde o acesso era bem difícil”, relatou o soldado.
O veterano está na reserva remunerada há 44 anos. Esse tempo de inatividade já ultrapassa o período completo de serviço ativo da maioria dos policiais em exercício atualmente.
João Neri tem quatro filhos, seis netos e dois bisnetos. Celso Lúcio, de 54 anos, é um dos filhos do veterano. Ele não seguiu a carreira militar, mas reconhece a influência paterna em sua formação.
“Trabalho há 19 anos como motorista de ônibus e tenho muito orgulho da criação que meu pai me proporcionou. Hoje, dedico minha vida a retribuir a ele ao menos uma parte de tudo o que ele fez por mim”, afirmou Celso.
O policial aposentado preserva hábitos que marcaram sua rotina. Ele mantém valores da caserna, especialmente a rigidez da rotina diária.
“Meu pai sempre foi uma pessoa muito independente. Até os 80 anos, ele fazia suas coisas sozinho, mas, com o avançar da idade, foi preciso que passássemos a supervisioná-lo mais. Ele faz questão de manter atividades que fizeram parte de sua rotina, como o hábito de ir à feira todos os sábados. Embora ele não lembre ao certo qual é o dia da semana, sempre nos pergunta para saber se o sábado já chegou”, destacou o filho.
Caroline Silva, neta de João Neri, ressalta a importância do avô em sua formação pessoal. Para ela, o veterano foi fundamental na construção de sua identidade e independência.
“Hoje enxergo meu avô como um alicerce de força e coragem, servindo como combustível para que eu desempenhe meu papel de mãe e mulher”, enfatizou Caroline.
