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Bloqueios de vias p�blicas viram rotina

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Trânsito lento é uma complicação. Parado, então, é um transtorno geral para a sociedade. Mas o ato de bloquear vias públicas, do qual os movimentos rurais de luta pela terra foram precursores, ganhou a cidade e parece ter se tornado a principal estratégia de reivindicação de todos os segmentos sociais, dificultando a mobilidade nas rodovias estaduais, federais, e nas vias urbanas de Maceió. A frequência com que isso tem se repetido é cada vez maior, e os motivos são cada vez mais diversos. Basta um conflito no campo ou um problema social na cidade, que a ideia de fechar a pista entra logo na pauta de mobilização. ?Está havendo uma banalização desse tipo de manifestação. Antes, eram os trabalhadores rurais, depois, ampliou para outros movimentos sociais; agora, a pista é bloqueada até para cobrar infraestrutura?, diz o Inspetor Jefferson, da Polícia Rodoviária Federal (PRF). ### Manifestações geram guerra de nervos e transtornos Por mais habilidosa que seja a ação da polícia e dos agentes de trânsito, os transtornos causados pelo bloqueio de ruas e rodovias são inevitáveis e não se resumem ao tempo nem ao local onde acontece o bloqueio. Nos centros urbanos, os congestionamentos se alongam por quilômetros e se ramificam por áreas adjacentes. Basta um bloqueio na Praça dos Martírios, por exemplo, para afetar o Centro, Farol, Poço, Trapiche, Bebedouro e áreas conexas. Nos pontos em que o trânsito é interrompido, o nível de irritação, também, é quase inevitável, por parte de motoristas e usuários do transporte coletivo, que são prejudicados na liberdade de ir e vir. Às vezes a situação chega a limites que fogem totalmente ao objetivo do protesto, até gerando atritos entre manifestantes e bloqueados, que estão longe de ser o alvo da manifestação, mas, certamente, são as principais vítimas de um recado que, na maioria dos casos, tem como destinatário o governo. ### Protestos são realizados por motivos variados Os motivos são vários e os agentes das manifestações cada vez mais diversos. Recentemente, o G-Crise teve que mediar um conflito gerado pelo bloqueio de uma rua, no Jacintinho, num protesto da população contra a implantação de uma casa de custódia no bairro. Os casos de protestos por moradia, como o realizado no último dia 9, pelos moradores da favela Cidade de Lona, que fecharam a BR-104, a caminho do aeroporto, também entram na agenda, assim como as manifestações por causa do cano quebrado, da falta d?água, ou do buraco na pista. ### Lideranças têm restrições aos protestos Em detrimento dos transtornos causados às pessoas, e exatamente porque eles forçam uma negociação imediata, pela necessidade de desobstruir a via, os movimentos sociais começaram a ver, nessa forma de protesto, a maneira mais rápida de dar seu recado. Mas, até mesmo entre os movimentos que mais costumam utilizar essa estratégia ? como os de trabalhadores rurais ? já existem restrições, e uma avaliação mais cuidadosa do custo-benefício dessa manifestação. É o caso do MST, um dos mais antigos entre as facções do movimento sem terra. ?Há uma avaliação de que o bloqueio de vias públicas não é tático, e o MST não tem trabalhado com esse tipo de atividade. Há uma posição de que as marchas e as ocupações são mais produtivas para as reivindicações do movimento?, diz Rafael Soriano, da assessoria de comunicação do MST. ### Governo só negocia sob pressão Apesar das restrições, o presidente da Central Única dos Trabalhadores, Isac Jacson, observa que, com várias categorias, o governo só tem negociado dessa forma, e isso está levando os movimentos a utilizarem, cada vez mais, esse modelo. ?Se para marcar uma audiência com o governo, tem que ir para a rua queimar pneus, alguma coisa está errada, e o governo tem que avaliar isso?, diz ele, lembrando do episódio que envolveu, dia 15, os agentes penitenciários e o Bope. ?Lógico que ninguém tem interesse em confronto com o Bope. São trabalhadores como nós, cumprindo o papel de Estado. Mas, como é que uma categoria bloqueia o acesso ao centro por duas horas, a cem metros do Palácio, e não sai ninguém do governo para negociar?!?, indaga. ?Só depois que houve o problema, foi marcada uma data?, observa Isac. ///

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