TRATAMENTO HUMANIZADO
Entre risos e cuidados, ‘palhaçaria’ ajuda na recuperação de pacientes em hospitais de Alagoas
Projeto da Uncisal alia arte e ciência há 24 anos e aponta benefícios para enfermos e profissionais
Muito além das feridas da alma, o riso tem o poder de guiar a cura do corpo e da mente. A afirmação tem base científica e faz parte da pesquisa de doutorado da professora Maria Rosa da Silva, coordenadora do projeto de extensão Sorriso de Plantão, que leva a “palhaçaria” para hospitais de Alagoas como forma de auxiliar no tratamento dos pacientes.
O Sorriso de Plantão tem 24 anos de atuação e é uma das iniciativas de extensão mais duradouras da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal). De acordo com a professora, a pesquisa demonstra que a palhaçaria hospitalar vai muito além do entretenimento.
“Observamos redução da ansiedade em pacientes, maior adesão aos tratamentos e melhora na comunicação entre profissionais, pacientes e familiares”, afirmou a professora.
O projeto é desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Alagoas (Ufal) e envolve profissionais de saúde e estudantes da área. A atuação desses participantes funciona como um intervalo em meio aos momentos de dor. A ação beneficia não somente o paciente, mas também a família e toda a comunidade hospitalar.
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“A palhaçaria possibilita momentos de respiro emocional. Profissionais relatam sensação de alívio, melhora no clima organizacional e ressignificação do cuidado. Ao humanizar as relações, ela também cuida de quem cuida, contribuindo para a prevenção do esgotamento físico e emocional”, destaca a pesquisadora.
A busca pela reação positiva do paciente também provoca o riso no próprio palhaço. “O mais marcante, e que acontece com frequência, é quando os acompanhantes relatam que, após dias de internação, foi a primeira vez que viram seu familiar sorrir. Esse tipo de relato revela que, mesmo em contextos de dor, a escuta, o riso e o encontro humano produzem cuidado. São experiências que não cabem apenas em números, mas que traduzem a essência do nosso trabalho”, conclui.
O Sorriso de Plantão atua em seis unidades de Alagoas: Hospital da Criança, Hospital Escola Dr. Hélvio Auto, Hospital Geral do Estado (HGE), Hospital Metropolitano de Alagoas, Hospital Universitário e Santa Casa de Misericórdia. Desde a sua criação, mais de 550 profissionais e estudantes já passaram pelo projeto, e atualmente mais de 100 pessoas contribuem para que ele aconteça.
Entre os dias 11 e 13 de março, foi realizado o congresso Encontro Internacional de Palhaços na Área da Saúde, na Suíça. A professora Maria Rosa apresentou os avanços de sua pesquisa.
“É um sentimento de pertencimento e responsabilidade histórica. Ver Alagoas inserida nesse movimento global reafirma que produzimos conhecimento relevante a partir do nosso território. Não estamos apenas reproduzindo práticas internacionais, mas contribuindo com novas perspectivas, especialmente no campo da saúde pública e da extensão universitária”, afirmou.
Ela relata que os pesquisadores internacionais demonstraram grande interesse pela forma como o Brasil, com destaque para o Sorriso de Plantão, articula ciência, arte e cuidado.
Ao contrário do Brasil, que insere grupos da área da saúde nessa atividade, a Europa utiliza profissionais das artes cênicas para levar a prática aos hospitais. A ideia é que países já incluam a palhaçaria nos cursos de saúde, como parte da formação.
*Sob supervisão da Editoria.