Cidades
Alagamentos e buracos na Jati�ca
Várias comunidades do bairro de Jatiúca sofrem com o problema peculiar em suas vias públicas: as falhas no pavimento não são decorrentes do processo mais comum de formação dos buracos, em que a água de chuva se acumula, infiltra e, após a sequência de compressões provocadas pela passagem dos carros, aumentam em extensão e profundidade. Ou seja: onde havia apenas uma pequena poça de água, que aos poucos vai penetrando no calçamento (seja ele, asfalto ou paralelepípedo), a passagem dos carros transforma em um buraco ou cratera, que vai ficando maior e mais fundo. ### Lixo obstrui galerias de águas pluviais No dia 1º de maio, o engenheiro civil Daniel Santa Ritta relata que teve de subir com o carro pela calçada para entrar em casa, situada no cruzamento das ruas Hamilton de Barros Soutinho com Odilon Vasconcelos, na Jatiúca. ?Quando eu entrei na rua, me surpreendi com o que vi. E perguntei: ?cadê a calçada?? Estava tudo embaixo d?água. A única maneira de entrar em casa era subindo a calçada, para alcançar a entrada da garagem?, relata. ### Rua onde surgiu cratera é recuperada pela prefeitura No mesmo dia 1º de maio, o susto que a dona-de-casa Iracema Maria Pereira dos Santos levou foi grande: durante a madrugada, os sons abafados de terra deslizando e caindo em água causavam mais medo por se saber que a Rua Dr. Procópio Júnior, onde mora, não fica tão perto assim do mar nem existe nenhuma barreira nas imediações. Mas, a luz do dia trouxe a constatação ainda mais assustadora: os sons da madrugada eram de pedaços da rua vizinha, Conjunto Pratagy, afundando numa cratera de pelo menos dois metros de profundidade e mais de dez de extensão, escavada pela água que escoou da galeria de drenagem rompida pela força da enxurrada. O dia amanheceu com dezenas de operários e ferramentas operando máquinas para tentar, primeiro, conter o avanço do colapso da rua e, em seguida, aterrar a cratera. Até o prefeito Cícero Almeida foi ao local, com capa de chuva, acompanhar o trabalho. ### Secretário admite problema na região O secretário de Infraestrutura de Maceió, Mozart Amaral, admite que há problemas com as galerias que atendem a região compreendida pelo bairro da Jatiúca e adjacências. Os entraves incluem subdimensionamento e obstrução. No primeiro caso, as estruturas que servem para receber a água da chuva que escorre pelas sarjetas e deixa a via pública pelos bueiros ou bocas-de-lobo (grelhas, na denominação técnica) são de tamanho inferior à quantidade de água que recebem. No segundo, alguma dessas estruturas está entupida ? ou a própria galeria, o canal subterrâneo que leva essa água para canais de maior dimensão ou diretamente para o mar. ?Diariamente, temos que fazer a desobstrução das galerias?, revela Amaral. E o trabalho, segundo ele, tem de ser feito em toda a extensão do desaguadouro natural dessas estruturas, as praias, no trecho urbano do litoral em que está a cidade. ///