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SEMINÁRIO

Da catequese ao altar: jovens trilham caminho para sacerdócio em Alagoas

Seminaristas explicam o chamado para a vida religiosa e os desafios da formação para se tornar padres

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De 2022 a 2026, Seminário da Arquidiocese de Maceió, recebeu 51 novos seminaristas
De 2022 a 2026, Seminário da Arquidiocese de Maceió, recebeu 51 novos seminaristas | Foto: SEMINÁRIO ARQUIDIOCESANO

José Paulo de Sousa Ferreira Silva, hoje com 27 anos, teve seu destino conduzido ao sacerdócio aos 17 anos, quando iniciou o processo no seminário. De família simples, mas baseada na tradição católica, sua mãe já dizia, desde pequeno, que o filho seria padre. Foi depois da Primeira Comunhão que ele começou a se engajar na comunidade onde morava, em um bairro periférico de Delmiro Gouveia, no Sertão de Alagoas. Hoje, após quase 10 anos de formação, ele está na fase do estágio pastoral, que é a preparação para a ordenação diaconal — a última etapa para, finalmente, ser padre.

De 2022 a 2026, o Seminário Arquidiocesano Nossa Senhora da Assunção, pertencente à Arquidiocese de Maceió, recebeu 51 novos seminaristas, com idades entre 18 e 35 anos. Atualmente, o estado possui instituições em duas circunscrições: o seminário da capital, fundado em 15 de fevereiro de 1902 — reconhecido historicamente como a primeira instituição de ensino superior de Alagoas — e o Seminário Diocesano São João Maria Vianney, criado em 1969, em Palmeira dos Índios. Atualmente, a diocese de Palmeira tem 22 seminaristas nos mais diversos níveis de formação, com idade média de 22 anos.

Para o seminarista José Paulo, foi na pequena comunidade sertaneja que ele se sentiu acolhido e passou a ser catequista aos 12 anos. Ele diz que sentiu o chamado do sacerdócio quando tinha 14 anos. “O contato com o pároco da minha cidade sempre me causava uma pergunta: ‘Será que eu também não poderia ser como ele?’. Como todos os jovens, eu também tinha planos. Sempre gostei muito da educação, mas tinha igualmente uma inclinação para a medicina e para a diplomacia. Entretanto, nenhuma dessas opções venceu a disputa”, relata.

Aos 15 anos, o jovem José Paulo de Sousa apresentou ao pároco o desejo de ser padre
Aos 15 anos, o jovem José Paulo de Sousa apresentou ao pároco o desejo de ser padre | Foto: Acervo pessoal

Aos 15 anos, o jovem apresentou ao pároco seu desejo. “Após esses quase 10 anos, sinto que compreendo melhor o meu chamado. Quando saí de casa para o seminário, aos 17 anos, eu ainda não tinha consciência da grandeza da missão para a qual o Senhor me chamava. Hoje, percebo mais do que nunca que a humanidade precisa de padres, porque ela precisa de Deus, e Ele quis que homens fracos e insuficientes fossem instrumentos do seu amor para ela. Quero ser padre para comunicar o amor de Deus a um mundo ferido pelo desamor e egoísmo”, explana o seminarista.

AS ETAPAS DA FORMAÇÃO

Para se tornar padre, o candidato encara uma média de 10 anos de preparação, começando pela fase do Propedêutico, como explica o seminarista Douglas Henrique, responsável pelo Serviço de Animação Vocacional da Arquidiocese de Maceió. Nessa etapa, as turmas passam por um ano de preparação no Seminário Menor São João XXIII, em Marechal Deodoro, para que cheguem ao Seminário Maior com conhecimentos preliminares.

O Discipulado é a segunda etapa, com duração de até três anos, período dedicado ao estudo da Filosofia. “Tem esse nome porque os seminaristas são chamados a ser discípulos enamorados do mestre”, detalha Douglas. Depois vem a terceira fase, a Configuração, com quatro anos de Teologia, em que os estudantes são “configurados ao Cristo Bom Pastor”. A última fase é a da Síntese Pastoral, quando são enviados para uma paróquia sob escolha do arcebispo. “Lá, eles acompanham o pároco em sua rotina, morando na casa paroquial e realizando os trabalhos solicitados de acordo com as necessidades da comunidade”, afirma Douglas Henrique. Após o estágio, o seminarista é ordenado diácono transitório e, finalmente, padre.

Para o reitor do Seminário Arquidiocesano, padre Márcio Nunes, a influência positiva de algum padre ajuda o jovem a discernir sua vocação. Ele explica que o processo é regido pelo documento Ratio Fundamentalis Institutionis Sacerdotalis, que avalia quatro dimensões fundamentais. A primeira é a humana, que observa o equilíbrio emocional e a capacidade de manter relacionamentos saudáveis. “Sem maturidade humana suficiente, não há base sólida para o sacerdócio”, explica.

As outras dimensões incluem a espiritual, voltada à oração e à intimidade com Deus; a intelectual, que avalia a capacidade de estudo crítico e filosófico; e a pastoral, que verifica o espírito de serviço e o entusiasmo missionário. “A Ratio também indica sinais objetivos: não buscar status ou segurança; ter idoneidade moral, obediência e perseverança. Não é fuga, é uma resposta radical sobre o sentido da vida”, completa o reitor.

Vinicius Ranners Teixeira Correia, 28, é de Delmiro Gouveia e formou-se em jornalismo
Vinicius Ranners Teixeira Correia, 28, é de Delmiro Gouveia e formou-se em jornalismo | Foto: ACERVO PESSOAL

A persistência também marca a história de Vinicius Ranners Teixeira Correia, de 28 anos. Criado em berço católico em Palmeira dos Índios, ele foi coroinha aos 14 anos e chegou a cursar Jornalismo antes de entrar para o seminário. Ao manifestar o desejo de seguir o sacerdócio, foi aconselhado a terminar a faculdade primeiro. Em 2024, enquanto trabalhava em uma locadora de carros, um encontro com um padre recordou-o de seu propósito original. Assim, Vinicius fez novos encontros vocacionais e ingressou no propedêutico em 2025.

“Tem sido muito verdadeiro. O fortalecimento vem através da oração e da intimidade com Deus, que me dão a força e a coragem necessárias para continuar a caminhada até o fim. Entrego-me totalmente às mãos de Deus”, conclui.

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