loading-icon
MIX 98.3
NO AR | MACEIÓ

Mix FM

98.3
sábado, 18/04/2026 | Ano | Nº 6206
Maceió, AL
25° Tempo
Logo Gazeta de Alagoas Logo Gazeta de Alagoas
Home > Cidades

DESISTÊNCIA

Mais da metade dos alunos abandona graduação em Alagoas

Evasão nos cursos presenciais chega a 57,1% no estado; especialista cita falta de apoio financeiro e infraestrutura

Ouvir
Compartilhar
Jadi Muniz, de 24 anos, abandonou a licenciatura em Química, na Ufal
Jadi Muniz, de 24 anos, abandonou a licenciatura em Química, na Ufal | Foto: CORTESIA

A 16ª edição do Mapa do Ensino Superior no Brasil, produzido pelo Instituto Semesp — entidade que representa mantenedoras de ensino superior no país —, mostra que 57,1% dos alunos de cursos presenciais em Alagoas não concluem a graduação. Na rede privada, o índice de desistência acumulada é ainda maior, chegando a 59,4%. Os dados são referentes ao ciclo entre 2020 e 2024.

Fernando Pimentel, coordenador de Educação a Distância (EAD) da Ufal, explica que a evasão é um assunto complexo e multifatorial. “Temos várias questões que precisam ser levadas em consideração. Uma delas é a falta de identificação com o curso. Muitos entram e, depois de seis meses ou um ano, percebem que não é o que queriam”, afirma. Ele cita ainda a falta de perspectiva de trabalho e o receio de não obter uma renda digna.

“Outra perspectiva é a infraestrutura. Algumas faculdades não dispõem de apoio adequado para que o estudante possa aprender”, avalia Pimentel. O professor destaca que a estrutura familiar também pesa, pois muitos precisam ajudar no sustento da casa ou em negócios dos pais. “E há outro elemento: a falta de apoio financeiro, de bolsas de estudo, de ajuda do próprio governo, que também contribui para a evasão. As instituições precisam dar assistência, porque a maioria dos jovens não tem esse apoio no seu cotidiano”, reforça.

O FATOR HUMANO

O vendedor Lucas Bertoldo, 30 anos, exemplifica essa realidade. Ele deixou Pernambuco para cursar Administração na Ufal, mas interrompeu o curso. “Juntou a falta de estabilidade financeira e o fato de não estar mais feliz com o curso. O principal foi minha saúde mental, que estava bem deteriorada. Na pandemia, eu meio que me desmotivei demais e já não estava mais acompanhando”, recorda Lucas, que hoje trabalha em Recife, mas ainda planeja se formar em Gestão.

Já Jadi Muniz, 24 anos, abandonou a licenciatura em Química na Ufal em 2021. “Sempre sonhei com outro curso, mas, no final do ensino médio, me interessei por química”, lembra. Jadi enfrentou dificuldades no primeiro período e o cansaço do deslocamento. “Tinha toda a questão de eu morar no interior e passar por tanto perrengue para chegar à universidade. Foi um conjunto de fatores. Mas não me arrependo; hoje faço Relações Públicas, curso em que estou realizada”, declara.

QUALIDADE E MODALIDADE

Pimentel reforça que o problema não reside na modalidade de ensino, mas na oferta. Para ele, o apoio ao estudante e instrumentos como laboratórios e bibliotecas são decisivos. “Não é o fato de ser presencial ou a distância que vai garantir que ele vai permanecer ou que tem qualidade. São muitos fatores”, finaliza.

Relacionadas