EM OURO BRANCO
Médico é indiciado por homicídio após atropelar seis pessoas no Sertão
O profissional negou consumo de álcool e informou fazer uso de medicamentos controlados após cirurgia
O médico Augusto César Alencar da Graça, de 56 anos, foi indiciado pela Polícia Civil de Alagoas (PCAL) por homicídio culposo na direção de veículo automotor após um atropelamento coletivo que resultou em seis mortes na rodovia AL-130, em Ouro Branco. O inquérito aponta que, na madrugada de 16 de agosto de 2025, ele conduzia uma caminhonete Toyota Hilux quando atingiu um grupo de pessoas que prestava socorro a um motociclista acidentado.
Segundo a investigação, minutos antes do atropelamento coletivo, um homem colidiu a motocicleta na traseira de um veículo parado no acostamento e ficou caído na pista. Pessoas que estavam no local se aproximaram para prestar ajuda.
O veículo conduzido pelo médico, que trafegava no sentido Maravilha-Ouro Branco, atingiu o grupo diretamente. Morreram no local Davi Barbosa da Silva, Gineide Avelino Dantas, Matheus Alberto Siqueira Tenório e Jéssica Bezerra da Silva. Lusineide Calu da Silva morreu a caminho do hospital, e uma sexta vítima faleceu dias depois em decorrência dos ferimentos. Testemunhas relataram que o trecho apresentava iluminação precária e ausência de sinalização, o que dificultava a visibilidade.
Em depoimento oficial à polícia, Augusto César afirmou que dirigia em velocidade moderada e que a situação foi repentina. “Só percebi as pessoas quando elas estavam muito próximas do veículo. Estava muito escuro e não havia sinalização de que tinha acontecido um acidente ali na frente”, declarou o médico. Ele afirmou ainda que tentou realizar uma manobra de emergência: “Tentei desviar para o acostamento, mas não consegui evitar o impacto com o grupo”.
O médico negou categoricamente o consumo de álcool e informou fazer uso de medicamentos controlados devido a uma cirurgia cardíaca realizada seis meses antes do fato. Embora relatos iniciais de populares mencionassem sinais de embriaguez, a defesa técnica rebateu as acusações. “O condutor possui restrições médicas severas ao consumo de álcool devido ao seu quadro pós-operatório e às medicações que utiliza continuamente”, pontuou a defesa nos autos.
Um depoente que auxiliou o médico logo após o atropelamento reforçou a versão de que ele estava orientado. “Ele estava a todo tempo lúcido, apenas agoniado com a situação, bem como não exalava cheiro etílico, pois fiquei bem próximo dele quando ele sentou no banco do carro”, afirmou a testemunha
Outro relato colhido pela investigação descreveu o cenário de desespero: “O Dr. César desceu do carro, olhou as vítimas e parecia em estado de choque com o que tinha acabado de acontecer”.
Sobre a saída do local antes da chegada da perícia, o médico declarou que temeu por sua vida após a chegada de parentes das vítimas. “Saí por medo de agressões, pois as pessoas estavam muito exaltadas e começaram a me ameaçar”, justificou. Uma testemunha confirmou que um motociclista foi chamado às pressas para retirá-lo da rodovia e evitar um possível linchamento. A Polícia Civil informou que o trecho não possui monitoramento por câmeras, o que tornou os depoimentos e a perícia de local fundamentais para o indiciamento. O inquérito será enviado ao Ministério Público de Alagoas (MP-AL), que analisará o caso.