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TECNOLOGIA

Perícia tem 1,1 mil dispositivos à espera de análise em Alagoas

Celulares representam cerca de 70% do material apreendido; exames ajudam a sustentar investigações e operações policiais

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Imagem ilustrativa da imagem Perícia tem 1,1 mil dispositivos à espera de análise em Alagoas
| Foto: GazetaWeb.com

Com mais de 1,1 mil dispositivos eletrônicos à espera de perícia na Seção de Crimes de Informática da Polícia Científica de Alagoas (Polcal), a análise digital passou a ocupar papel central nas investigações no Estado. Desse total, cerca de 70% correspondem a aparelhos celulares — aproximadamente 800 itens —, entre smartphones, computadores, notebooks, tablets e cartões de memória apreendidos. A crescente demanda se reflete nos números de 2025: o Instituto de Criminalística de Alagoas registrou a entrada de 679 dispositivos, maior volume já recebido, e emitiu 694 laudos periciais, também um recorde.

Segundo o chefe da Seção de Crimes de Informática do Instituto de Criminalística de Maceió, perito criminal Flaudizio Barbosa, o trabalho começa ainda na preservação da cadeia de custódia. O equipamento apreendido é lacrado e encaminhado à Polícia Científica para garantir a integridade do material antes da análise.

Na etapa inicial, o lacre é aberto pelo perito, que realiza registros fotográficos, anotações e o levantamento das características do aparelho. Em seguida, é feita a extração dos dados com o uso de ferramentas específicas, de acordo com o modelo do dispositivo.

A partir desse material, o perito conduz a análise com base nos questionamentos apresentados pela autoridade requisitante, que pode ser a Polícia Civil, o Ministério Público ou o Judiciário.

“Nessa análise, o perito pode buscar conteúdos como vídeos, imagens, agenda telefônica, lista de contatos, geolocalização, conversas de aplicativos de mensagens e dados excluídos que possam ser recuperados. Todo o direcionamento da análise pericial se dá em virtude do ofício requerente”, afirma Flaudizio Barbosa.

O tempo de conclusão varia conforme o tipo de equipamento. Em dispositivos móveis, o exame pode levar de dois a quatro dias. Já em computadores e notebooks, o prazo se estende de dois a seis dias, devido à etapa adicional de processamento da extração. Em 2026, a Polcal passou a usar a ferramenta XRY, da empresa sueca MSAB. Trata-se de um dispositivo de hardware em que telefones são conectados a um PC, aliado a um software para extração de dados.

A análise de aparelhos também tem impacto direto na condução de investigações. Segundo a polícia, integrantes de organizações criminosas costumam trocar celulares e chips com frequência, na tentativa de dificultar o rastreamento.

Para o diretor de Polícia Judiciária 1 (DPJ1), delegado Sidney Tenório, o conteúdo desses dispositivos passou a ser central nas apurações. “Desde o crime mais simples contra a honra até um crime praticado por líderes de facções criminosas passa pela análise de aparelhos celulares. Com os diálogos criptografados e a dificuldade de algumas plataformas, a interceptação telefônica cedeu espaço para a análise de aparelhos”, afirma. O delegado cita como exemplo uma operação nos municípios do Pilar e Campo Alegre. “Isso em 2023.

Foram 18 prisões, todas com fartas provas obtidas em diálogos, fotos e vídeos de ordens de assassinatos, pesagens de drogas e recibos de depósito de dinheiro do tráfico. O difícil hoje é citar uma grande operação da Polícia Civil que não passe pela análise de aparelhos celulares”, completa Sidney Tenório.

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