Cidades
Crian�as continuam dormindo no Lix�o
O menino de 12 anos que morreu dormindo no Lixão de Maceió não deveria estar lá. A entrada de crianças é proibida, mas elas entram. A exploração do trabalho infantil é crime, mas elas trabalham. Ao invés de estudar, catam restos para vender. É a infância cercada por urubus, esmagada por toneladas de lixo. De dia, elas não brincam. À noite, elas não sonham. Vão para o Lixão. O garoto Carlos André da Silva Santos era apenas mais um. Todas as noites, o lugar mais podre da cidade é habitado por dezenas de meninos que amanhecem o dia trabalhando. Exaustos, dormem lá mesmo. Alguns vão com os pais, outros seguem sós na escuridão. Foi o caso do pequeno Carlos, que formou um grupo de trabalho com o irmão mais novo ? ?Neném?, de 11 anos, e o amigo Givaldo, também com 12 ? para subir ao Alto de Jacarecica na última quarta. ### PRT quer responsabilizar município A morte de Carlos André, a revelação trazida pela Gazeta sobre o trabalho noturno das crianças e as respostas dos órgãos municipais sobre o caso provocou uma reação da Procuradoria Regional do Trabalho (PRT). Amanhã mesmo o órgão deve propor uma ação civil pública com pedido de tutela antecipada para impedir o acesso de crianças ao Lixão e responsabilizar o município, inclusive com aplicação de multas para a prefeitura e pessoalmente para os gestores. A morte foi uma fatalidade? A culpa é dos pais? É impossível impedir o trabalho das crianças e o acesso delas ao lixão? Para a procuradora Rosimeire Lôbo, toda essa argumentação do Poder Executivo deve ser questionada. ?Fica um jogo de desculpismos, mas é obrigação do órgão público implementar políticas públicas para impedir esta que é uma das piores formas de trabalho infantil?, afirma Rosimeire, que também coordena o Fórum de Erradicação do Trabalho Infantil em Alagoas. ### Projeto de aterro sanitário ainda não saiu do papel Promessa de campanha, alvo de polêmica e esperança de solução, o projeto do aterro sanitário de Maceió ainda se arrasta sem sair do papel. Quando deixar de ser um projeto e virar realidade, tudo indica que o aterro não permita o trabalho infantil e ainda dê um fim às condições perversas a que se submetem os catadores adultos. O assessor técnico da Slum, Álder Flores, garante que não haverá nenhum catador no aterro. ?Todo o processo de separação do lixo reciclável será feito nas unidades de coleta seletiva, que serão criadas em vários bairros da capital?, explica. Ainda assim, toda área do aterro terá muro, guaritas de segurança e vigilância permanente. Tudo sob a responsabilidade da empresa detentora da concessão. ///