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CRIANÇAS E ADOLESCENTES

AL registra aumento de 34% nos casos de estupro de vulnerável

Maio Laranja: Estado contabilizou 165 ocorrências no 1º trimestre; maioria das vítimas é do sexo feminino

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Delegada diz que demora na denúncia dificulta as investigações
Delegada diz que demora na denúncia dificulta as investigações

Alagoas registrou alta de 34% nos casos de estupro de vulnerável durante o primeiro trimestre de 2026. Dados da Secretaria Nacional de Segurança Pública indicam que o estado contabilizou 165 ocorrências entre janeiro e março, contra 123 registros no mesmo período do ano anterior. O levantamento detalha que 140 vítimas pertencem ao sexo feminino, enquanto 23 são do sexo masculino e, em duas situações, o sexo não consta no sistema.

Embora o acumulado total de 2025 tenha apresentado redução em comparação a 2024, quando o número de registros caiu de 1.019 para 643 casos, os índices deste início de ano motivam o reforço de ações de monitoramento e repressão em todo o território alagoano.

A realidade desses crimes revela que as agressões ocorrem com frequência no ambiente doméstico, praticadas por familiares ou pessoas próximas. A delegada de Crimes Contra Crianças e Adolescentes, Talita Aquino, afirma que o principal obstáculo para as investigações está na dificuldade de comunicação das ocorrências.

“O primeiro desafio é realmente conseguir fazer com que as pessoas rompam a barreira do silêncio e passem a denunciar o que está acontecendo para as autoridades. Como a maioria dos casos acontece dentro de casa e é praticada por pessoas próximas, inclusive familiares, isso acaba criando uma certa barreira para que haja denúncia de imediato”, explica a delegada.

Segundo a autoridade, adultos que possuem conhecimento sobre o crime e optam por não relatar os fatos podem sofrer responsabilização penal.

Além do espaço físico, o ambiente virtual também demanda controle por parte de pais e responsáveis, por meio de ferramentas restrição e de acompanhamento de perfis. Em março, entrou em vigor o ECA Digital, norma que atribui responsabilidades também ao Estado e às empresas de tecnologia no combate à exploração infantil na rede, obrigando a remoção de conteúdos que promovam o abuso.

A delegada enfatiza que cabe aos responsáveis fazer o controle do acesso. “O mais importante é que os adultos responsáveis sejam presentes e estejam sempre monitorando o conteúdo que é consumido pelas crianças”, orienta.

A polícia recomenda a observação de mudanças de comportamento no cotidiano dos menores. “Os mais comuns são queda de rendimento escolar e uma mudança brusca de temperamento. Às vezes, a criança ou o adolescente também demonstra certo receio em ficar na companhia de determinado adulto. Um sinal, que eu considero mais grave, é quando, em virtude da violência que está sofrendo, a possível vítima começa a se autolesionar. Num dia muito quente, a criança ou o adolescente pode querer vestir roupas que cubram mais o corpo, então tudo isso deve ser observado”, explica Talita Aquino.

No âmbito das ações práticas, a Operação Caminhos Seguros 2026 resultou na prisão de três condenados por estupro de vulnerável em bairros de Maceió nesta semana, sob o comando das delegadas Talita Aquino e Maíra Balby, da Polícia Civil.

Simultaneamente, a Assembleia Legislativa de Alagoas aprovou projeto de lei que estabelece a oferta de conteúdos sobre prevenção à violência sexual nas unidades da rede pública de ensino. O texto aguarda decisão do Poder Executivo.

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