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TRAGÉDIA

Policial com 30 anos de carreira é preso por morte de dois colegas dentro de viatura

Justiça decretou a prisão preventiva de Gildate Góes Moraes

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Suspeito integra os quadros da Polícia Civil há mais de 30 anos
Suspeito integra os quadros da Polícia Civil há mais de 30 anos | Foto: GazetaWeb.com

Gildate Góes Moraes Sobrinho, de 61 anos, tem mais de 30 anos na Polícia Civil de Alagoas (PCAL). Chefe da Delegacia de Delmiro Gouveia há mais de dez anos, não possui histórico de crimes, ou punições disciplinares. Também nunca apresentou pedidos de afastamento, nem fazia uso de medicamentos. Essa trajetória, considerada exemplar pelos investigadores, foi desmontada na madrugada dessa quarta-feira (20), após Gildate ser preso acusado de matar dois colegas de trabalho dentro de uma viatura, em Delmiro Gouveia, no Sertão.

Yago Gomes, de 33 anos, e Denivaldo Jardel, de 47 anos
Yago Gomes, de 33 anos, e Denivaldo Jardel, de 47 anos | Foto: GazetaWeb.com

Para os investigadores, não há dúvidas de que ele foi o autor dos disparos que mataram os policiais Yago Gomes, de 33 anos, e Denivaldo Jardel, de 47 anos. De acordo com a polícia, suspeito e vítimas mantinham uma relação próxima de amizade e parceria profissional.

Denivaldo tinha 15 anos de serviço, sendo dez deles trabalhando ao lado de Gildate. Os dois eram considerados “amigos irmãos”. Yago estava há dois anos na corporação e, segundo os investigadores, costumava realizar diligências apenas com Gildate.

“A polícia ficou surpresa e triste e vai apurar o caso com todo o rigor da lei para que ele seja responsabilizado por esses crimes bárbaros”, afirmou o delegado-geral adjunto da Polícia Civil, Eduardo Mero.

Os três policiais haviam saído na terça-feira (19) para cumprir um mandado de prisão em Olho d’Água das Flores, mas o alvo foi localizado em Piranhas. Após o encerramento dos procedimentos, o trio permaneceu na cidade para jantar e, segundo Gildate, todos ingeriram bebida alcoólica. Gildate afirmou em depoimento que não se lembra do momento do crime. Disse recordar apenas que entregou a direção da viatura ao policial Yago e sentou no banco traseiro, enquanto Denivaldo permaneceu no banco do passageiro. O suspeito relatou ainda que sua lembrança seguinte é já fora da viatura, caminhando em direção à casa da companheira para descansar. Imagens de câmeras de monitoramento mostram Gildate andando de forma cambaleante pela rua.

Yago foi atingido por um tiro na lateral direita da cabeça, enquanto Denivaldo foi baleado na nuca. A polícia informou ter reuniu uma série de elementos que reforçam a suspeita de que Gildate matou os colegas. O policial esqueceu o celular dentro do veículo. O aparelho que foi apreendido para perícia. Outro indício encontrado foi uma munição intacta e dois estojos de munição no interior da viatura, compatíveis com os disparos efetuados. Ao chegar à residência de Gildate para cumprir a prisão em flagrante, os policiais encontraram a arma de fogo dele guardada no armário. De acordo com a polícia, a arma é compatível com o material encontrado na viatura, embora ainda seja necessária uma perícia de comparação balística para confirmação. O tênis usado pelo policial também apresentava manchas de sangue.

A investigação será aprofundada por uma comissão de delegados formada por Sidney Tenório, Antônio Carlos Lessa e Flávio Dutra. A polícia informou que a hipótese de surto psicótico não foi confirmada e que a motivação do crime segue sob investigação.

Pedro Pereira, pai do agente Yago, contou que não há dúvidas de que o filho foi executado. “Gente, o cidadão deu um tiro no lado direito da cabeça do meu filho, como é que alguém surta e atira na cabeça? Não sei o que houve entre eles. Uma discussão ou o que houve para que ele chegasse a matar o outro colega também.”, pontuou o pai de Yago. A pedido do Ministério Público de Alagoas, a Justiça decretou a prisão preventiva de Gildate durante audiência de custódia. Também foram autorizados exames toxicológicos nas vítimas e no suspeito.

A Justiça ainda determinou diligências na cidade de Piranhas, incluindo no estabelecimento onde o grupo teria ingerido bebida alcoólica. Segundo o delegado Eduardo Mero, a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas instaurou um processo administrativo disciplinar para apurar a conduta do policial. O procedimento poderá resultar na perda do cargo.

Yago Gomes era casado e deixou uma filha pequena. Colegas de profissão o descrevem como um policial dedicado e comprometido com o trabalho. Já Denivaldo Jardel era natural de Serra Talhada, em Pernambuco, pai de três filhos e celebrava recentemente momentos importantes da vida pessoal, como o nascimento de uma filha e a aprovação do filho mais velho no curso de Medicina.

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