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Escola p�blica chega aos 100 anos trazendo mudan�as

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93 meninos de 10 a 13 anos, entre brancos, negros e ?trigueiros?, saíam de humildes residências em 1910, na periferia da cidade, para aprender um ofício que lhes rendesse trabalho no futuro próximo. Seriam marceneiros, serralheiros, carpinteiros. Ganhavam uniformes, aprendiam a ler e a escrever, alimentavam-se diariamente. Em 2009, Jovens como Yan Quintino, 14 anos, segundo ano do ensino médio, uma das pessoas mais novas a publicar um artigo em revista científica internacional, povoam os corredores do antigo Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet), hoje remodelado para Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Alagoas (Ifal). Completando 100 anos de existência, a escola pública mais conceituada de Alagoas terá o desafio de manter a função que deu vida à instituição: a transformação de vidas através do conhecimento. *Sob a supervisão da editoria de Cidades. ### Novo formato educacional preocupa As mudanças provocaram opiniões negativas de professores e alunos do Ifal, que veem no novo formato a possibilidade de desvalorização do ensino técnico e médio, que alimentou a história dos centros de tecnologia brasileiros. Carlos Argolo, professor de física e PhD em Física da Matéria Condensada pela Boston University ? prestigiada universidade americana ? acha que elevar uma escola que é exemplo entre os Cefets do País à instituição de ensino superior, a torna medíocre no seu novo patamar. ?Não temos estrutura nem autonomia universitária para isso?. A professora de química ? e uma das criadoras do curso ? Josinete Cavalcante, integrante da comissão organizadora das festividades do centenário e funcionária há 36 anos, gosta da ideia, mas confessa não estar familiarizada com o novo funcionamento. ?O Ifal é uma incógnita?, resumiu. ### Disputa por vagas chega a ter mais de 11 mil candidatos Anualmente, milhares de estudantes concorrem a uma vaga em um dos cursos profissionalizantes do Ifal, ou pretendem apenas concluir um ensino médio gratuito e de qualidade. Este ano, o exame de seleção foi enfrentado por mais de 11 mil candidatos, que disputaram 850 vagas disponíveis nos cursos técnicos, e cerca de 5 mil à procura dos cursos superiores. Mas por que a instituição dispõe de tanta credibilidade no Estado? Segundo Josinete, a excelência do ensino é um trabalho de vanguarda, fruto de uma relação ?amorosa? entre as gerações que passam por lá. ?Quando eu sugeri a criação do curso de química, por exemplo, colocamos assuntos inovadores?, ressalta. ### Estudantes têm trabalhos publicados fora do País Yan Quintino não é o primeiro estudante a ter um artigo aprovado por uma revista importante. Além dele, que terá seu estudo sobre modelos ecológicos publicado na Physical Review, uma das mais renomadas revistas científicas do mundo, editada pela American Physical Society, outro adolescente, franzino e tímido como ele, já havia rompido a barreira entre pesquisa científica e educação básica. Hiago Otaviano, agora com 17 anos e cursando o 3º ano do ensino médio, teve seu artigo sobre propagação de doenças aceito pelo International Journal of Bifurcation and Chaos. Yan procurou o antigo Cefet graças à boa fama da escola. Sua mãe, formada no curso técnico de química, observou o talento do filho, adiantado dois anos além da média da idade escolar, e fez com que ele tentasse uma vaga na instituição. Hoje, o garoto sonha em seguir carreira como pesquisador científico. ### Mudança para prédio atual ocorreu em 1961 Em 1961, a escola mudou-se para o atual prédio em que funciona, na Rua Barão de Atalaia, no Centro de Maceió. Projetado por Oscar Niemeyer a pedido do presidente Juscelino Kubitschek (várias escolas técnicas do País receberam sua assinatura), a construção ficava em um local ainda não explorado pelo desenvolvimento urbano. Um imenso coqueiral rodeava o enorme terreno. Hoje, a estrutura inicial sofreu diversas modificações, mas ainda conserva o esqueleto original. Depois do golpe militar de 1964, o nome do marechal alagoano foi retirado, mudando o título para Escola Industrial Federal de Alagoas, novamente modificado em 1968, quando o regime conheceu seus anos mais repressivos, e uma profunda reforma educacional foi feita em todo o ensino público. O termo ?industrial? deu lugar ao ?técnico?, e a paz deu lugar à censura. ///

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