CAPITAL ALAGOANA
Ruas ganham verde e amarelo e reacendem tradição da Copa do Mundo
Movimento transforma bairros da capital e reforça paixão que une vizinhos durante os jogos do Brasil
Bandeiras nos muros. Camisas nas lojas. Nas ruas, o asfalto ganha símbolos em verde e amarelo. De quatro em quatro anos, bairros inteiros de Maceió se transformam para acompanhar a caminhada da Seleção Brasileira. É uma tradição que atravessa gerações e mobiliza vizinhos. Quando chega a Copa do Mundo, moradores se unem para torcer, decorar e celebrar.
Na Ponta da Terra, a tradição dura há mais de três décadas. Daniela Pimentel, de 49 anos, e Anderson Bastos, de 36, participam da organização dos enfeites da vizinhança. Segundo eles, moradores colaboram com trabalho e recursos para comprar o material.
Tem letreiro, faixa, bola e taça. As marcas do torneio já foram gravadas no chão e varais com fitas verdes e amarelas decoram a rua. Novas intervenções devem surgir nos próximos dias. O custo da decoração gira em torno de R$ 5 mil, arrecadados pelos moradores.
No Feitosa, José Santos conta que um caminhão-baú levou parte da ornamentação já instalada. O episódio, porém, não diminuiu o entusiasmo da vizinhança, que segue com a preparação dos enfeites.
“Rapaz, tudo é a gente que faz. Faz a cotinha e vai comprar material. Ainda vamos pintar todos os símbolos da Copa, vai ter jogador, bandeira, e os meios-fios também vão ser pintados de verde e amarelo”.
MEMÓRIAS DO PENTACAMPEONATO
Para Anderson, a Copa de 2002, quando o Brasil conquistou o pentacampeonato, é uma das lembranças mais marcantes. “Na Copa de 2002 faltou energia no jogo da final. A gente deixou de acompanhar aos dois gols do Ronaldo e terminou escutando o restante do jogo pelo rádio” - disse.
Faltando poucos dias para o início da competição, moradores já se organizam para acompanhar os jogos. “Todo jogo, geralmente, cada casa coloca uma televisão na porta. O costume geral é cada um botar a TV na porta e, às vezes, um vizinho chega e se junta”, diz Anderson.
Para a estreia, a ideia é reunir toda a rua em torno de uma única tela. As crianças que ajudaram na decoração também terão um lanche especial. “A gente também faz lanche para os meninos, compra pão, faz um molho de salsicha, um molho de carne moída, para poder lanchar também”.
SONHO DO HEXA
Ninguém crava o hexacampeonato, mas a esperança segue viva entre os moradores. “Essa é mais uma vez que faz 24 anos do último título. O último tabu, que também demorou, foram 24 anos, de 70 até 94. Dessa vez, voltamos ao tabu de 24 anos, então a gente espera que seja quebrado também”, disse Anderson.
A movimentação começa semanas antes do início da competição, quando moradores se reúnem para definir cores, pinturas e pontos de decoração. As decisões são tomadas de forma coletiva, em conversas informais nas ruas, e o trabalho se espalha entre fins de semana e noites, conforme a disponibilidade de cada um.
O resultado vai além da estética. Para os moradores, a preparação para a Copa também funciona como um momento de convivência e integração entre vizinhos, com troca de tarefas, ajuda mútua e participação de diferentes gerações na organização das ruas.
*Sob supervisão da Editoria.