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Alagoano paraplégico vive esperança de cura após receber polilaminina

Após acidente de moto, jovem inicia rotina para avaliar resposta ao tratamento que pode lhe devolver os movimentos

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Imagem ilustrativa da imagem Alagoano paraplégico vive esperança de cura após receber polilaminina

Como quem acorda de um pesadelo e tenta pular da cama, Jordan Barros, de 32 anos, despertou no hospital após um acidente de moto. As pernas não responderam. O pesadelo era real. Mas agora ele vive um sonho, é o primeiro alagoano a receber a polilaminina, molécula estudada na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e que se mostrou capaz de estimular a regeneração de conexões nervosas danificadas, indicando um potencial para tratar lesões medulares, que são a causa de paraplegia e tetraplegia.

Paraplegia. É o que Jordan tem desde o dia 14 de março deste ano, quando ele ia treinar para uma competição de crossfit em Maceió. No trajeto, sofreu um acidente. Foi arremessado da moto em que estava, bateu a cabeça e a coluna num meio fio e em um poste. Do acidente em si, ele diz não lembrar. O diagnóstico ele deduziu antes mesmo do médico falar. “Quando eu acordei na cama, que eu tentei mexer as pernas, já não mexeu. Então eu esperei só o doutor vir e confirmar para mim algo que eu já suspeitava. Eu achei que era algo que iria passar, que no outro dia eu ia acordar e as pernas iam estar movimentando, mas não foi”, conta.

No hospital, a história de Jordan se cruzou com a da médica Morghana Ferreira. “Ver um paciente tão jovem diante de um cenário catastrófico e sem perspectivas de reversão espontânea mexeu profundamente comigo”, lembra a profissional. Ela conta que a partir daí começou uma longa jornada para conseguir a polilaminina para Jordan. Cada minuto era importante, afinal, a eficácia depende de uma janela terapêutica crítica pós-trauma. Mas ela conseguiu. No último dia 31 de maio de 2026, Jordan Barros foi o primeiro alagoano a receber o tratamento, que está em fase de testes, mas a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) autoriza pacientes com doenças graves e sem alternativas terapêuticas a receberem medicamentos ainda sem registro e em fase de testes.

Imagem ilustrativa da imagem Alagoano paraplégico vive esperança de cura após receber polilaminina

Na última quarta-feira (3), Jordan recebeu alta médica. Foi para casa com sonhos e força de vontade. Promete dar o máximo de si numa rotina intensa de fisioterapia. “É uma dose de esperança”, resume. E ele já tem planos para o futuro almejado. “Andar, correr, treinar, passear com minha esposa, com meus filhos, brincar com meus cachorros. Eu vou aproveitar o máximo da minha vida.”

A médica conta que nas primeiras semanas o foco principal do monitoramento estará voltado para a segurança do protocolo e a manutenção da estabilidade clínica, garantindo que ele permaneça lúcido, orientado e sem a necessidade de drogas vasoativas. “Paralelamente, sigo realizando testes neurológicos frequentes para mapear a sensibilidade e a resposta motora abaixo do nível da lesão. O objetivo primordial nesse período inicial, e a médio prazo, é identificar qualquer sinal de transição de uma lesão completa para incompleta, o que indicaria que a polilaminina está exercendo seu papel de suporte ao crescimento axonal e restabelecendo alguma conectividade neural”, explica.

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