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CUIDADOS

Venda ilegal de Mounjaro avança e preocupa médicos em Alagoas

Emagrecedor é anunciado nas redes sociais por até oito vezes menos que o preço das farmácias

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Medicamentos são oferecidos sem exigência de receita médica e anunciados como originais
Medicamentos são oferecidos sem exigência de receita médica e anunciados como originais

Medicamentos à base de tirzepatida, substância utilizada no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2, estão sendo comercializados ilegalmente em grupos de WhatsApp e redes sociais por valores muito abaixo dos praticados nas farmácias. Em Alagoas, médicos e autoridades alertam para os riscos do uso de produtos sem procedência comprovada, enquanto cresce o mercado clandestino impulsionado pela busca por emagrecimento rápido.

De acordo com a Receita Federal, mais de 71 mil unidades de produtos à base de tirzepatida já foram apreendidas neste ano. O tratamento regular pode ultrapassar os R$ 3 mil mensais nas farmácias brasileiras.

A Gazeta de Alagoas teve acesso a grupos de WhatsApp onde medicamentos são oferecidos sem exigência de receita médica e anunciados como originais. Em um dos anúncios, uma ampola de 15 mg era vendida por R$ 350. Já uma caixa com quatro unidades - quantidade suficiente para até quatro meses de tratamento - custava R$ 1.100.

O problema, segundo especialistas, é que não há nenhuma garantia sobre a origem, a conservação ou o conteúdo desses produtos. A médica especialista em emagrecimento Andrezza Souto afirma que os riscos vão muito além da ilegalidade. Medicamentos transportados sem controle de temperatura podem perder eficácia ou sofrer alterações químicas. Há ainda a possibilidade de falsificação, contaminação e adulteração.

“Tudo o que você puder imaginar pode ter nesses frascos. As pessoas estão usando de qualquer jeito e não sabemos de onde vem esse material, o que foi colocado nesses frascos e como está sendo administrado. Sabemos que até manicure tem vendido o produto de qualquer forma. Não existe fiscalização alguma”, afirma.

EFEITOS QUE PODEM CUSTAR CARO

Uma estudante, que pediu para não ser identificada, afirma ter comprado o produto por meio de um grupo de WhatsApp. Segundo ela, os efeitos adversos começaram poucas horas após a aplicação.

“Comecei a ficar com a boca seca, a barriga estranha. Eu não sentia fome e passei muito tempo sem comer. Tive vômitos, diarreia, muita dor abdominal e uma perda muito rápida de massa magra. Eu perdi peso na balança, mas isso trouxe efeitos para a minha saúde. Eu não tomaria novamente sem acompanhamento médico”, relata.

A preocupação também mobiliza as forças de segurança. A Polícia Civil de Alagoas informou que mantém investigações sobre a comercialização ilegal de medicamentos, anabolizantes e canetas emagrecedoras, inclusive por meio de grupos de WhatsApp e redes sociais. Em operações neste ano, foram apreendidos produtos falsificados, sem registro e materiais utilizados na distribuição clandestina dessas substâncias.

A venda sem prescrição médica, a distribuição de produtos sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e a importação irregular podem configurar infrações sanitárias e até crimes contra a saúde pública.

Desenvolvida inicialmente para o tratamento do diabetes tipo 2, a tirzepatida passou a ser utilizada também no combate à obesidade, sempre sob acompanhamento médico. O sucesso dos resultados, porém, contribuiu para a popularização do medicamento fora dos ambientes clínicos.

Segundo Andrezza Souto, medicamentos da classe dos agonistas dos receptores de GLP-1 exigem avaliação individualizada, acompanhamento nutricional e monitoramento constante dos resultados. A Anvisa orienta os consumidores a desconfiar de produtos vendidos sem receita médica, com preços muito abaixo do mercado, embalagens sem lacre, erros de impressão ou ausência de informações em português.

A recomendação é verificar a regularidade do estabelecimento e solicitar informações sobre o lote e a origem do medicamento.

O CAMINHO MAIS SEGURO

Alina Nunes conta que utilizou o medicamento associado à mudança de hábitos e afirma que não enfrentou complicações
Alina Nunes conta que utilizou o medicamento associado à mudança de hábitos e afirma que não enfrentou complicações | Foto: ACERVO PESSOAL

A especialista em posicionamento de imagem Alina Nunes conhece bem a pressão estética que leva muitas pessoas a buscar soluções rápidas para emagrecer. Acostumada a vestir manequim 38, ela percebeu mudanças graduais no próprio corpo até chegar ao número 42.

“Eu não me reconhecia mais. Sempre pratiquei atividade física, mas meu peso continuava aumentando. Quando procurei ajuda profissional, encontrei uma médica que investigou meu caso de forma individualizada. Isso me deu segurança para iniciar o tratamento”, conta.

Sob supervisão médica, ela utilizou o medicamento associado à mudança de hábitos e afirmou que não enfrentou complicações.

“Foi bem tranquilo. Fiz o tratamento, mudei minha alimentação e continuei praticando exercícios físicos. Eu prezo pela minha saúde e jamais tomaria um medicamento sem aprovação e acompanhamento profissional”, diz.

Para o personal trainer Walbert Hening, a busca por resultados imediatos continua sendo um dos principais obstáculos para quem deseja emagrecer de forma saudável.

“Muitas pessoas querem perder 8 ou 10 quilos em uma semana ou dez dias. Isso é impossível e perigoso. O emagrecimento saudável envolve reeducação alimentar, atividade física e, quando necessário, medicamentos prescritos por profissionais. Cada caso precisa ser analisado individualmente”, afirma.

Entre a promessa de emagrecimento rápido e a oferta de medicamentos vendidos sem qualquer controle, médicos alertam que os riscos podem ser muito maiores do que os benefícios. Para os especialistas, a perda de peso segura continua dependendo de acompanhamento profissional, mudança de hábitos e tratamentos conduzidos dentro dos protocolos médicos adequados.

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